[ 28 de Março de 2005 ]

A IMPORTÂNCIA DO DEBATE

   

por Guilherme Azedo

Escrevo este artigo de opinião sobre as eleições no SCO, onde a lista A se sagrou vencedora e, como nota inicial, quero apenas realçar que não fiz parte de nenhuma das listas, razão pela qual penso ser possível considerar a minha opinião imparcial.

A lista A acabou por vencer com toda a justiça, uma vez que são reconhecidos os méritos das pessoas que a constituíem no passado recente do nosso clube. Mesmo com algumas propostas e ideias que não eram do agrado de todos, a maioria dos sócios acabou por considerar que, no cômputo geral, seriam estas as que melhor serviam o interesse do Olhanense.

No entanto é de realçar o empenho e dedicação da lista B, que sem mais nenhum objectivo que não fosse o de ajudar a melhorar o clube, se disponibilizou para ir à luta, promovendo o debate de ideias de uma forma cordial e saudável. São exactamente as propostas não consensuais apresentadas pela lista A que justificaram esta candidatura e permitiram oferecer aos sócios que com elas não se identificavam, uma maior projecção e visibilidade na participação activa da vida do clube.

O facto de o presidente eleito ser obrigado a um maior esforço na preparação de algumas questões levantadas pela lista concorrente, só pode ser considerado positivo para o desenvolvimento do clube. Isto seria impossível, no caso de existir apenas uma lista concorrente, não por acto de má fé ou displicência dos seus elementos, mas porque as circunstâncias em que decorreria a campanha assim o determinariam.

A própria lista B provou ser muito mais do que uma “lista de putos”. A inexperiência a nível directivo poderá ter impedido um claro apelo ao voto, mas não impediu certamente o apelo ao debate e ao esclarecimento de ideias. Debate que acabou por ser conseguido de forma eficaz e competente, com ambos os candidatos a mostrarem preparação e conhecimento dos assuntos em questão.

O facto deste debate ter sido assunto de algum destaque nos principais jornais desportivos nacionais, durante a última semana (algo que não é usual para um clube da liga de honra), comprova os méritos da campanha constituída por mais de uma lista.

Como nota negativa, apenas umas palavras para alguns que tiveram atitudes ou palavras menos próprias para a lista B, demonstrativas de intolerância e resignação com o poder instituído. Por muito que custe, é assim que se ajuda a resolver os problemas do clube e não através de gritos e insultos na bancada. O esforço é maior e exige mais disponibilidade, mas os resultados são sem dúvida mais compensadores.

É exactamente esta forma de pensar, criticando quem, sem experiência e conhecimentos no mundo do futebol, se lança à aventura de forma séria e inteligente, que contribui para os jogos de poder e influências que estamos habituados a ver nesta actividade. Jovens com valor, ambições e habilitações são perfeitamente capazes de gerir um clube de futebol, se não forem impedidos de o fazer por pessoas com largos anos de experiência na área e a quem, por quaisquer motivos, não lhes interesse ver aparecer novos valores.

Será provavelmente esta, a própria opinião do presidente eleito, Carlos Nóbrega, que de certeza não se importou de ter um esforço redobrado na preparação para a sua eleição, devido ao aparecimento de uma lista concorrente. Só valorizou a sua vitória e honrou o SCO, tornando este acto eleitoral um dos mais concorridos de sempre.

 
 

 

© 2005 - OLHANENSE.NET - Página não oficial do SCO