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por Guilherme Azedo
Escrevo este artigo de opinião sobre as eleições no SCO,
onde a lista A se sagrou vencedora e, como nota inicial,
quero apenas realçar que não fiz parte de nenhuma das listas, razão pela
qual penso ser possível considerar a minha opinião
imparcial.
A lista A acabou por vencer com toda a justiça, uma vez
que são reconhecidos os méritos das pessoas que a
constituíem no passado recente do nosso clube. Mesmo com
algumas propostas e ideias que não eram do agrado de
todos, a maioria dos sócios acabou por considerar que, no
cômputo geral, seriam estas as que melhor
serviam o interesse do Olhanense.
No entanto é de realçar o empenho e dedicação da lista B,
que sem mais nenhum objectivo que não fosse o de ajudar a
melhorar o clube, se disponibilizou para ir à luta,
promovendo o debate de ideias de uma forma cordial e
saudável. São exactamente as propostas não consensuais
apresentadas pela lista A que justificaram esta
candidatura e permitiram oferecer aos sócios que com elas
não se identificavam, uma maior projecção e visibilidade
na participação activa da vida do clube.
O facto de o presidente eleito ser obrigado a um maior
esforço na preparação de algumas questões levantadas pela
lista concorrente, só pode ser considerado positivo para o
desenvolvimento do clube. Isto seria impossível, no caso
de existir apenas uma lista concorrente, não por acto de
má fé ou displicência dos seus elementos, mas porque as
circunstâncias em que decorreria a campanha assim o
determinariam.
A própria lista B provou ser muito mais do que uma “lista
de putos”. A inexperiência a nível directivo poderá ter
impedido um claro apelo ao voto, mas não impediu
certamente o apelo ao debate e ao esclarecimento de
ideias. Debate que acabou por ser conseguido de forma
eficaz e competente, com ambos os candidatos a mostrarem
preparação e conhecimento dos assuntos em questão.
O facto deste debate ter sido assunto de algum destaque
nos principais jornais desportivos nacionais, durante a
última semana (algo que não é usual para um clube da liga
de honra), comprova os méritos da campanha constituída por
mais de uma lista.
Como nota negativa, apenas umas palavras para alguns
que tiveram atitudes ou palavras
menos próprias para a lista B, demonstrativas de
intolerância e resignação com o poder instituído. Por
muito que custe, é assim que se ajuda a resolver os
problemas do clube e não através de gritos e insultos na
bancada. O esforço é maior e exige mais disponibilidade,
mas os resultados são sem dúvida mais compensadores.
É exactamente esta forma de pensar, criticando quem, sem
experiência e conhecimentos no mundo do futebol, se lança
à aventura de forma séria e inteligente, que contribui
para os jogos de poder e influências que estamos
habituados a ver nesta actividade. Jovens com valor,
ambições e habilitações são perfeitamente capazes de gerir
um clube de futebol, se não forem impedidos de o fazer por
pessoas com largos anos de experiência na área e a quem,
por quaisquer motivos, não lhes interesse ver aparecer
novos valores.
Será provavelmente esta, a própria opinião do presidente
eleito, Carlos Nóbrega, que de certeza não se importou
de ter um esforço redobrado na preparação para a sua
eleição, devido ao aparecimento de uma lista
concorrente. Só valorizou a sua vitória e honrou o SCO,
tornando este acto eleitoral um dos mais concorridos de
sempre. |
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