[ 11 de Fevereiro de 2005 ]

NAVAL - OLHANENSE:
DIFERENÇAS ENTRE "CANDIDATOS"

por Miguel Saial

Defrontaram-se no passado Sábado, na Figueira da Foz, o quarto e quinto classificado de uma competição cujos três primeiros classificados têm acesso ao único escalão onde vale a pena (man)ter uma equipa profissional neste país.

Confesso que esperava a presença de mais adeptos rubro-negros (não sei se chegaria à centena), mas essa pequena decepção foi minorada ao verificar o número de espectadores que a equipa da casa conseguiu atrair (as imagens das várias bancadas falam por si).

Contextualizando: a Naval, que nunca esteve no escalão maior, tinha (e continua a ter, após o empate) uma "mão cheia" de pontos (cinco) de avanço sobre o Olhanense. E estava apenas a dois pontos do terceiro classificado, o Marco. E agora está apenas a um ponto, após a derrota em casa da equipa da terra (e do estádio) de Avelino Ferreira Torres. Seria normal, portanto, esperar um enorme entusiasmo nos adeptos figueirenses. Por todas essas razões, achei "curioso" fazer este pequeno exercício comparativo.

Passando para o plano económico, o orçamento da Naval será quê? O dobro do da equipa rubro-negra? O triplo? É certo que a Figueira da Foz tem muito mais habitantes e muito mais recursos que Olhão, mas... há coisas que o dinheiro não compra.

Os sócios da Naval têm uma quota mensal de dois euros e meio por mês. Para os não-sócios a Naval faz promoções: um casal só paga um bilhete, mas entram os dois. Ainda assim a assistência é a que se pode constatar nas imagens. Talvez para colmatar essa lacuna, a direcção da Naval não tem receio de apoiar duas (!) claques organizadas. É caso para dizer que a Naval pode até ter poucos adeptos, mas bons. São os que tem, e deste modo só pode vir a ter mais. Porque o clube também puxa por eles, tenta cativá-los, e não tirar simplesmente o máximo partido financeiro.

A direcção da Naval tem meios para ter um bom plantel (um dos melhores da competição, segundo as declarações do nosso técnico no final da partida), mas não é por isso que descura o lado humano. Não está simplesmente à espera que os adeptos "apareçam". Com uma mentalidade destas - e não necessariamente com muito dinheiro - quem imagina o tipo de moldura humana, e quantos espectadores, poderia ter o José Arcanjo semanalmente?

A "questão" a colocar é apenas esta: Quanto (não) vale acertar no técnico certo, na hora certa?

 
 

 

 

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