Daqui a um mês terá passado exactamente um ano
sobre a grande
jornada que foi a invasão pedestre a Faro.
O que emocionou alguns na altura parece estar,
hoje, esquecido.
A famosa "excursão a pé" foi, e isso até pode ser apenas a minha opinião, um dos momentos
fundamentais - senão o primeiro sinal - que 2003/04 seria a época
determinante para o regresso do nosso clube a um patamar mais digno
do seu historial.
Estávamos apenas na sétima jornada,
recorde-se. Não era somente uma euforia momentânea de liderança
da tabela classificativa, mas uma enorme demonstração de
mobilização de uma massa adepta que há muito aguardava a elevação do
emblema rubro-negro ao seu
valor real.
E a verdade é que este "Olhanense" tem uma estranha forma de estar,
relativamente aos seus sócios. Por vezes parece que é o clube que faz um favor ao deixar
alguém ser seu associado. Já era um pouco assim na 2.ª
Divisão "B", e que raio de ingenuidade a minha em pensar que seria
diferente na Liga de Honra. Depois ouvimos as queixas de que as pessoas
afastam-se do clube. "Ninguém ajuda o Olhanense", gostam de repetir.
No parágrafo anterior coloquei aspas ao referir-me ao nome do clube.
É que este "Olhanense" a que me refiro é o "Olhanense" das pessoas
que neste momento o representam, não o Olhanense do passado, nem o do futuro.
Toda a gente sabe, os clubes
ficam e as pessoas… vão à sua vida, tal como eu um dia arranjarei
outras coisas com que me entreter, farto de aturar comportamentos
ultrapassados e psicologias invertidas. Por enquanto tento não
confundir o emblema com essas atitudes, ou acreditar que
uma subida de escalão traria alguma abertura
de mentalidade e menos prepotência. Mas não. Ninguém ajuda.
Fala-se em eleições antecipadas, mas não creio que uma mera
alteração de lugares directivos resolva o problema. A estrutura
profissional e funcional teria de ser revista e
renovada. O jogo com o Salgueiros na época passada para a Taça de
Portugal (o único com alguma exigência maior) e a ronda inaugural
deste ano demonstraram isso. Tempos houve em que acreditei em evolução na continuidade,
mas o estado de graça "imaginário" causado pela subida de escalão, para mim, acabou
com esta vitória sobre o Portimonense.
Tento acompanhar o clube com sentido crítico, e não me considero um
simples "bota-abaixo", antes pelo contrário. Mas há limites.
Desde o final da época passada, após a subida consumada, tinha em
mente escrever um artigo deste tipo, sobre a passagem aos
campeonatos profissionais, mas entretanto passaram-se os meses e não encontrei a paciência ou… o ângulo de abordagem.
Mas agora achei-o,
e logo numa
questão aparentemente "menor": a claque de apoio. Uma
questão menor mas muito mais demonstrativa sobre o funcionamento deste clube do que pode,
à primeira vista, parecer.
A claque e a massa adepta do Olhanense (sem aspas) foi, em opinião
geral, um dos incentivos para a subida de escalão. Não falo
sequer de uma claque nos moldes dos grandes clubes ou como as
claques "oficiais" que a Liga exige. Falo da claque pouco organizada,
que não pede bilhetes nem apoios ao clube, ou autocarros para as deslocações.
Paga mesmo tudo do seu bolso. O mesmo grupo de apoio que vestiu a cidade com centenas de t-shirts com
um slogan tão apelativo que o clube já nem o renega e até pensa
(e bem!) utilizar em iniciativas diversas.
Uma simples frase que, apesar de tão "batida", ainda conseguiu a proeza(?) de surpreender o
Presidente da Câmara no dia da festa da subida. Mais um grande
momento da tragi-comédia que é a letargia em que esta cidade parece
estar eternamente adormecida.
Por
trás de cerimónias formais, os fatos e as gravatas dizem
preocupar-se, mas a verdade é que todos os fins-de-semana as "docas"
são o que são. E não acredito que seja assim tão difícil resolver
estes assuntos. Mas, tal como no "Olhanense", a culpa é sempre das
"pessoas", nunca dos que
detêm cargos. As pessoas é que não ajudam.
Ora bem, após a subida do Olhanense (sem aspas) e após o "Euro 2004",
surge na nossa mui nobre Cidade da Restauração o grande evento que é
o Festival do Marisco. Como habitualmente, o Sporting Clube
Olhanense teve o seu stand. Nesse espaço o clube comercializou material
alusivo ao clube, o tradicional merchandising, e desta vez também material da
claque.
Esse material da claque surgiu à venda no stand depois de uma solicitação
do clube à
claque. Sim, leram bem, o clube é que solicitou à claque. Bonito, não?
Afinal, por vezes as pessoas ajudam.
Alguns dias depois tem início o campeonato nacional da II Liga de
Honra. No dia do primeiro jogo, minutos antes, quando os elementos da
claque (associados com quotas em dia, e não "borlistas")
tentavam entrar com as faixas e bandeiras foram
informados que
«O Olhanense não tem claque.»
No dia da primeira jornada da época 2004/05, o clube que se sagrou
campeão da Zona Sul da 2.ª "B", já não tinha claque. O material da
mesma claque que, no entanto, já tinha sido
vendido pelo próprio clube no Festival do Marisco e no jogo de apresentação
do Domingo anterior, frente ao
Vitória de Setúbal. Bonito.
Não vou sequer perder tempo a tentar imaginar ou perceber o que motiva este
tipo de atitudes. A claque é composta por jovens (alguns deles mesmo
muito jovens) que têm vontade de apoiar o clube, por gosto. Não são
como alguns agentes do futebol, por vezes movidos por interesses
"variados".
O que se passa é que, neste momento, praticamente toda a gente já percebeu como funciona este "Olhanense". Talvez por isso,
apesar da subida de Divisão, o crescimento do número de associados
não tenha sido nada significativo. Depois queixam-se. A culpa é,
sempre, das pessoas. Não ajudam.
O mais cómico é que não há, sequer,
um todo para culpar. Não há um pensamento ou comportamento único
neste "Olhanense". Por vezes parece não haver ligação
entre as estruturas e a hierarquia do clube. O episódio das declarações de Paulo
Sérgio a "O Jogo" pode até muito bem ser um mal-entendido,
mas deixa fumo no ar. A recente entrevista de um vice-presidente
sugerindo eleições antecipadas ainda mais.
E esta
questão
da claque, que existe no clube para vender material mas que depois já não existe no primeiro jogo
da época é mais do que demonstrativo de como funciona este "nosso" clube.
É quase anedótico. Se a claque é coisa de míudos, então o que dizer do funcionamento do
clube?
E talvez essa partida com o Portimonense
até tivesse sido uma boa altura para trocar opiniões com dirigentes
de outros emblemas
sobre como funcionam os clubes que "têm claque". Se
se chama "ter claque" o clube disponibilizar autocarros e bilhetes,
então o Olhanense não tem MESMO claque.
Resta
saber é o que é que o "Olhanense" quer.
Se é que sabe.
Felizmente(?), a questão de haver ou não claque no jogo da
primeira jornada foi resolvida
por um Dirigente que sempre demonstrou apoio à claque.
Quanto a mim, esta questão é quase rídicula, mas é apenas o espelho de tudo neste "Olhanense". E é exactamente o mesmo
que a subida de Divisão na época passada: há pessoas dentro do clube
a favor, e outras contra.
Tão simples quanto isso.
Quanto a nós, desde que começámos a fazer este site não oficial há dois anos
(e,
recorde-se, numa fase má da vida do clube, após a derrocada da sede
e da quase descida à III Divisão) tem havido da nossa parte alguma
colaboração com o clube e com a claque. Com gosto da nossa parte,
pois normalmente não olhamos a
pessoas, mas apenas ao apoio ao clube. Este parece ser um conceito
desconhecido para muitos. Mas, apesar de nem tudo terem sido rosas, essa
colaboração deu-nos muito mais alegrias que tristezas, e isso é que é
importante. Só que tudo isto torna-se por vezes tão infantilmente
frustrante, que tem de ter um fim.
Eu, pessoalmente, já decidi. Estou farto de malucagens. Relativamente à claque e ao clube, vou cessar a
minha colaboração "activa" com ambos. Tenho mais em que perder
o meu tempo. Se quem é pago ou eleito para
fazer o seu trabalho não o faz como deve ser feito, porque é que terei de
preocupar-me com isso ou AJUDAR quem quer que seja?
Continuarei, claro, a fazer
este "livro de recortes", juntamente com os amigos com quem até
hoje tenho vindo a fazer. E a ir à bola. Mas não mais do que isso.
Vou juntar-me às pessoas que nunca ajudam (a maioria).
Mesmo em relação ao site, pode dizer-se que actualmente já nem faz
grande sentido um site que vá procurar o comentário ao jogo nos
Açores, Odivelas ou Mafra, visto que os principais jornais publicam
sempre artigos e entrevistas sobre as partidas da Liga de Honra.
Óptimo. Menos
"trabalho" para nós. É que, com a subida de divisão, o Olhanense atingiu o estatuto em que a própria imprensa é "obrigada", cada
vez mais, a relatar tudo o que se passa.
E o "Olhanense" terá de aprender a viver
com isso. |





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