[ Julho de 2004 ]

A GERAÇÃO DO EURO

FOTO: Pedro Manso
Texto: Henrique Estevão

Foto: Pedro Manso

E "prontes", acabou o Euro 2004. A Selecção não foi campeã, como quase todos esperávamos, mas Portugal ganhou em muitas outras frentes. Ganhou aos que não acreditavam ser possível um pequeno pais organizar uma prova com esta dimensão. Ganhou pela forma como conseguiu mobilizar os portugueses unindo-os por uma causa comum. Ganhou por, pela primeira vez ter chegado a uma final duma grande competição. Ganhou pela forma como soube receber os que nos visitaram neste último mês. Ganhou pelas alegrias que nos deu, mesmo as sofridas e, lembrar-nos que também podemos sonhar. Ganhou por finalmente os portugueses acreditarem que temos equipa para outros desafios.

Neste Euro 2004 bateram-se muitos recordes. O recorde de assistências nos estádios numa fase final. O recorde de audiências nas televisões de todo o mundo. Da equipa com mais jogos consecutivos com golos marcados em fases finais do Europeu (pena não o termos feito também no último). O recorde de animação e festa que varreu todo o país com milhares e milhares de pessoas na rua a apoiar a nossa equipa. O consumo de cerveja (mesmo com o apoio incondicional do ingleses) correu a jorros por tudo quanto foi "sítio" como nunca se tinha visto. A auto-estima colectiva que nunca esteve tão alta em Portugal, mesmo depois da derrota. Ficamos com o recorde do primeiro-ministro que mais tempo usou a mesma gravata. E tantos outros que poderíamos enunciar nestas linhas.

Acabou o Euro2004. Com honra e com ele talvez também uma geração de futebolistas, por todos conhecida como a "geração de ouro": Mesmo sem ganhar o campeonato levaram Portugal a um patamar onde nunca antes alcançado. Deixa-nos o Rui Costa, e possivelmente também o Figo e o Fernando Couto, mas uma certeza fica, a de que uma outra geração já nasceu e foi apadrinhada por eles. A nova "geração do euro" com jovens e talentosos jogadores já começam a demonstrar ter a capacidade para levar a selecção bem longe e que nos darão muitas e mais alegrias. Nós sabemos que sim e podem contar com o nosso apoio. Por isso vamo-nos a eles.

Não me compete a mim fazer o balanço deste "Europeu", nem falar sobre o desempenho deste ou daquele jogador. Não me compete, nem quero, fazer análises criticas dos jogos disputados, deixo isso para outros mais entendidos. Mas não posso deixar de endereçar com muito orgulho, as minhas sinceras felicitações à Federação Portuguesa de Futebol, extensivas à Equipa Técnica e Jogadores. Pelo trabalho demonstrado, pelo empenho e por tudo o que fizeram representando dignamente o nosso país.

O Euro2004 terminou mas convém, quem de direito, tirar as ilações e tentar aprender com tudo o que se passou. Convém não esquecer que outro desafio está á porta: a campanha para o Mundial de 2006. Acredito que aqui também podemos ir longe. Temos equipa com "estofo de campeão". Temos a melhor massa adepta do mundo. E acima de tudo SOMOS PORTUGAL.

Tal como a nossa Selecção que vai começar uma nova fase, também o nosso Olhanense começa outra. Depois de longos anos o nosso clube volta a estar na Liga de Honra. Vai precisar de tanto ou mais apoio do que aquele que prestámos aos jogadores do Euro2004. Os desafios do Olhanense irão ser muitos e penosos, não necessariamente económicos, como alguns "gregos" já por ai começam a vaticinar. Haverá alturas em que o importante será apoiar os nossos jogadores nos momentos menos bons. Dar uma mão à Direcção quando esta a solicitar. Viver o "nossa Liga" como vivemos o Euro2004.

Sabemos que todos os rubro-negros o farão porque NÓS SOMOS O ORGULHO DO ALGARVE.

 

 

 

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