Sensivelmente há um ano escrevi, nesta
MESMA
página, uma crónica onde comentava o quão molestado me sentia pela
péssima exibição da equipa do Olhanense no jogo disputado no
"velhinho" Estádio Municipal de Loulé. Lembro-me de então descrever
o sentimento de desagrado da imensa massa associativa rubro-negra
presente nesse jogo. De como nos sentimos defraudados pelos nossos
jogadores. A falta de empenhamento e de entrega ao jogo foi
demasiado evidente. A partida já não alterava em nada a
classificação final, mas isso para nós não podia servir de desculpa.
Estávamos lá para apoiar o Olhanense. Até o Louletano, praticamente
na mesma situação que nós, procedeu de forma bem diferente. Jogou
melhor. Nesse dia em Loulé a frase mais ouvida entre os adeptos
presentes era: «Nós não merecíamos isto. Até parece que já estão de
férias!».
Este ano tudo foi diferente, e até o jogo foi disputado no novo
Estádio Algarve, no Parque das Cidades Faro/Loulé. O Olhanense tinha
neste jogo a possibilidade de se sagrar campeão a duas jornadas do
final da prova e os adeptos não faltaram à chamada, comparecendo em
grande número. Mas, é de salientar, não menos entusiasmados do que
na época anterior. Nesse dia a "garra" demonstrada pela equipa do
Olhanense só foi comparada à entrega dos jogadores do Louletano, que
valorizaram a vitória e a festa no final. Em suma, um grande jogo de
futebol.
Houve festa, alegria, lágrimas e cânticos. O nosso Olhanense
garantia finalmente a subida à Liga de Honra e sagrava-se Campeão da
2.ª Divisão - Zona Sul. Ao contrário do ano transacto, a frase mais
ouvida era outra: «O Orgulho do Algarve somos nós!». A empatia entre
o Clube e os Associados estava consumada, sendo por demais evidente.
Apenas alguns "velhos do Restelo" profetizavam a desgraça de que a
sorte do Olhanense iria ser como a do seu rival mais próximo, que em
duas épocas desceu do escalão maior para a 3.ª Divisão. Esses nem
nos merecem resposta. Chegou-lhes ver o amor e o carinho demonstrado
pela massa grandiosa associativa que, nesse dia e durante este ano,
acompanhou a equipa. Quer os jogos fossem em casa ou fora marcaram
presença, de forma abnegada e sentida, mesmo quando os resultados
foram menos bons. É importante não esquecer - entre outros - o jogo
de Faro. Que outra equipa tem o carisma e os adeptos capazes de
fazer renascer velhas tradições como a celebre "excursão a pé"?
Temos mesmo de reconhecer que "O Orgulho do Algarve somos nós". Quer
eles queiram ou não.
Confesso que pensei escrever esta crónica imediatamente após o jogo
no Parque das Cidades, mas optei por esperar mais um pouco. Afinal
ainda faltavam dois jogos para o término do campeonato. Esperei para
ver se ir-se-ia repetir o mesmo do ano transacto e se os jogadores
já se sentiam "de férias". Acabei por ter a sorte de poder assistir
aos dois encontros que faltavam, com a Camacha e com o Lusitânia. E
tal não aconteceu. E, se no José Arcanjo em Olhão foi dia de festa
com casa cheia a aplaudir e a felicitar o Olhanense, em Angra do
Heroismo, quase sem público na bancada do belíssimo Estádio João
Paulo II (contei apenas 62 pessoas, comigo incluído), os nossos
jogadores não abdicaram de mostrar a quem quis ver, especialmente na
segunda parte, como sabem "jogar à bola". Engrandeceram o Olhanense
e demonstraram que mereceram a subida.
Se há um ano revoltava-me a postura dos nossos atletas nos últimos
jogos e perguntava se já estariam de férias, este ano tenho de
reconhecer, e julgo que em nome de todos os verdadeiramente
rubro-negros, que o mérito da subida é de todos: Jogadores, Equipa
Técnica e Direcção.
Permitam-me pois, agradecer, ainda em nome de todos os associados,
as alegrias que nos deram e dizer que AGORA SIM... JÁ PODEM IR DE
FÉRIAS. |