Em mensagem no nosso Fórum, Miguel Ferreira, membro da actual
Direcção do clube, colocou para discussão dos participantes a
"velha" questão do regresso ao Padinha, colocada
quase fora de hipóteses (?) aquando do surgimento de outra
alternativa também bastante apetecível: a aproximação das bancadas ao relvado
no José
Arcanjo. Segundo o mesmo dirigente, esta última, ao que
parece, afinal não tem grande viabilidade, apesar de não a
colocar completamente fora de hipótese.
Ora bem, estou certo que o regresso ao Padinha é o desejo de muitos adeptos rubro-negros,
especialmente da “velha guarda”. Confesso que, há um par de anos, quando ouvi falar pela primeira vez
nisso, fiquei bastante entusiasmado. Não só pelo clube, mas
também pela cidade, pois
esse regresso ao Padinha, dizia-se, só seria possível com a
“municipalização” do José Arcanjo. De grosso modo, penso que o
que chegou a vir nos jornais foi que a Autarquia
comprava o Arcanjo (“limpando” as dívidas do clube) para fazer
naquela zona um imenso Complexo Desportivo, pois já lá estão
até as
piscinas. Ficavam todos felizes, mesmo os mais
reticentes, pois é inegável que o período de menor sucesso do
futebol rubro-negro (os números e factos falam por si), é aquele em que
a equipa jogou no José Arcanjo.
Agora, uma “coisinha”… com a recente venda dos terrenos
anexos, isso ainda será possível? Ou venderia o clube todo a
área do Arcanjo para construção urbanística e passaria a jogar
no novo Padinha? Esse tipo de decisão não pode ser tomada,
simplesmente, por uma
Direcção, por mais abrangente que ela seja em
termos de nomes e "sectores", como é a actual. Será sempre algo
a colocar como proposta numa Assembleia, e não pode ser feito “à la SAD”. A
acontecer isso, desta vez tem de ser TUDO muito bem explicado,
para os sócios decidirem com a cabeça e não com o coração ou
simpatia facial. Os associados são quem decide,
independentemente de quem estiver à frente dos órgãos sociais
já ter feito muito ou pouco pelo clube. Não se pode confundir
as coisas. De saudar, portanto, o aparecimento de um dirigente
interessado em auscultar as opiniões dos adeptos.
Têm de ser feitos também alguns esclarecimentos, e nesse
aspecto o nosso site poderá ter uma palavra a dizer, pois em
breve publicaremos o “Diário da Construção do José Arcanjo”,
que nos foram fornecidos pelo autor. Trata-se de uma colecção
de textos já publicada no jornal do clube, mas que poderão já
estar esquecidos, ou não ser do conhecimento dos adeptos mais
jovens ou, simplesmente, ter passado ao lado dos que não lêem o quinzenário rubro-negro.
A verdade é que grande parte das pessoas desconhece que a cedência do terreno por parte da família Arcanjo foi
feita mediante acordos de que os mesmos seriam sempre para
instalações com vista à prática desportiva, e talvez esses
acordos “legalmente” não existam (não sei, sinceramente se
existem ou não, estou
apenas a colocar a hipótese), mas a palavras dos homens tem de
ser respeitada, especialmente nestes casos.
Aliás, a própria construção do José Arcanjo esteve envolta em
alguma polémica, parece-me até que foi mais uma obra de um
grupo de associados contra a vontade de outros, ou pelo menos
contra a vontade da indiferença. O actual
recinto de jogos do clube foi construído um pouco à margem da direcção da
altura,
pois pouca gente "ligou" ao projecto. Houve mesmo alguma descrença
popular e a obra esteve mesmo parada durante muito tempo, mormente após o 25 de Abril, só
sendo inaugurado uma década mais tarde. Pelo que me foi dado a
conhecer, fiquei com a impressão que em meados da década de
setenta a cidade começou a dissociar-se um pouco do clube (num
entrevista ao nosso site Ademir Vieira aludia a isso,
referindo-se à
última época na I Divisão), primeiro com a descida do escalão
maior e, depois, para a terceira Divisão, já no início da
década de oitenta. O Estádio José Arcanjo surge nessa altura,
portanto acredito que muita gente visse com bons olhos um
regresso a um Padinha remodelado mas com o “espírito” antigo.
Contudo, seria no mínimo “bonito” que,
pelo menos, as coisas fossem explicadas, e não se passasse por
cima da História do clube, e quando me refiro a História não
são apenas os troféus e resultados, mas as palavras dos homens
que para ela contribuíram. Temos que nos acautelar para não corremos
sequer o risco de
passar por uma situação semelhante à dos nossos vizinhos do lado, onde
parece que engodaram
uns Espanhóis com um Estádio que nunca passou para o nome do
clube (e acredito até que havia responsáveis do mesmo clube
que nem soubessem disso) que, como tal, nunca passou para
propriedade da SAD.
Posto isto, pediram o seu dinheirinho de volta e para
a sua terra regressaram.
Agora, os nossos vizinhos estão como estão. Porquê? Porque por
muito dinheiro que se invista num clube, há uma
coisa que simplesmente não se pode “ganhar” (quase escrevi
“comprar”...), que é o tão banalmente falado "amor à
camisola". Sem dinheiro não se compra nada, mas o dinheiro não
compra tudo. O futebol, por muito que evolua num sentido
empresarial e mercantilista, nunca poderá descorar as suas
origens, pois foram elas que lhe deram a projecção e
identidade que tem hoje.
O melhor (ou pior...) exemplo disto está a menos de 10 Km. |