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[ 10
de Novembro de 2005 ] |
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Em: "Região
Sul"
(www.regiao-sul.pt)
Por: Edgar Pires |
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"Juntos pelo Algarve" num impasse |
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Responsáveis de Olhanense e Portimonense lamentam
o "nim" geral... |
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É um dado quase absoluto: os algarvios gostam de
futebol e sentem falta da Liga principal. As enchentes
registadas nos confrontos das duas últimas épocas entre
Olhanense e Portimonense provam-no. Mas as entidades
oficiais e o tecido económico algarvio continuam
renitentes a apostar no "desporto-rei", facto de que o
projecto "Juntos pelo Algarve" é o principal exemplo.
Aliás, há duas semanas, enquanto no sábado o duelo dos
auto-proclamados "quartos grandes" (Belenenses e Boavista)
juntou, no Restelo, 2500 pessoas, em Olhão, no dia
seguinte, mais de 6 mil pessoas seguiram o derby entre os
clubes algarvios da Liga de Honra.
O duelo entre os principais emblemas da região serviu,
igualmente, para um balanço provisório da iniciativa
"Juntos pelo Algarve". E as queixas partem dos seus
promotores: Carlos Nóbrega e João Sintra, presidentes de
Olhanense e Portimonense, respectivamente, estão
desiludidos com a postura de "nim" das organizações e
instituições contactadas.
Quase seis meses depois da apresentação pública da
iniciativa que visava juntar clubes, associações
empresariais e organismos públicos de forma a angariar
fundos para patrocinar a presença de clubes algarvios nas
competições profissionais de futebol, confirmam-se as
piores previsões.
"Neste momento, o processo está numa fase: não adianta nem
atrasa", referiu o presidente do clube de Olhão ao Região
Sul/DiáriOnline Algarve. "Era esse o nosso grande medo,
que as pessoas não se assumissem. E é o que está a
acontecer neste momento: as pessoas estão a responder com
um "nim", o que prejudica seriamente este processo",
acrescenta.
"Era bom que as pessoas se definissem, para não criar
ilusões e para que o Algarve saiba, de uma vez por todas,
as pessoas com quem pode contar", reclama Carlos Nóbrega,
secundado pelo seu homólogo portimonense.
João Sintra mostra-se ainda mais cáustico: "Infelizmente,
as entidades oficiais do Algarve têm pessoas à frente que
não têm grande empenho. Estão mais preocupadas em receber
o seu ordenado ao final do mês do que em fazer obra."
"Esta expectativa não é boa para ninguém", assegura o
líder olhanense.
Há meio ano, Olhanense e Portimonense contactaram com sete
entidades: as públicas AMAL e RTA; e as associações
empresariais AHETA, NERA, CEAL, AIHSA e ACRAL. Até agora,
"a única entidade que teve a sinceridade e a frontalidade
de nos mandar o documento necessário para começarmos a
trabalhar, foi o NERA", refere Carlos Nóbrega.
Da parte dos municípios algarvios, "foi dito,
peremptoriamente, que não havia hipóteses, porque não há
dinheiro das autarquias para este processo. Também não era
isso que nós preconizámos, apenas pretendíamos um
envolvimento institucional normal". Quanto à RTA,
"colocou-nos uma questão residual: saber o valor da
quota", lamenta-se o responsável rubro-negro. |
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Quem liga ao futebol? |
Então, afinal, o Algarve não liga ao futebol? "Não é
o Algarve que não liga ao futebol", contrapõe Carlos Nóbrega.
"São determinados dirigentes, políticos e empresariais, que só
se interessam pelo futebol em determinadas ocasiões: quando
estrelas do mundo do futebol vêm ao Algarve passar férias no
Verão e aí ficam bem a posar para as fotografias", sublinha.
Para dar a volta a esta situação, os responsáveis mostram uma
arma de respeito: a união. O exemplo tem sido dado ao mais
alto nível, entre os dois clubes algarvios da Liga de Honra.
"Nós havemos de dar a volta. A solução passa pela união entre
os principais clubes da região. Felizmente, existem boas
relações entre Portimonense e Olhanense e, também, com outros
emblemas algarvios. Temos de nos unir e provar que nós temos
razão e que essas pessoas é que estão mal", afirma João
Sintra.
O líder dos alvinegros quer expulsar a "moeda má": "Essas
pessoas têm de sair e tem de ir alguém para o lugar delas que
queira realmente fazer obra." Contudo, reconhece, muitos
dirigentes de vários emblemas da região, nos últimos anos, têm
tentado obter ajudas de vários quadrantes sem obter resultados
práticos.
"Mas também nunca houve uma união tão forte entre os clubes.
As coisas estão a mudar. Existe uma grande rivalidade no plano
desportivo, mas não passa disso. Temos dado boas lições de
fair-play, não nos limitamos a criticar, damos soluções",
assegura o presidente do Portimonense.
Soluções essas que, "só não são postas em prática porque não
somos nós que temos o poder. Se fôssemos nós a deter o poder,
já elas estavam executadas. E já havia de certeza absoluta
equipas na Liga", diz João Sintra. |
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À espera de outros clubes |
"Não podemos cruzar os braços. Continuamos com a
esperança que isto dê a volta e esperamos que qualquer um dos
clubes que estão a militar na II Divisão Nacional consiga a
subida de divisão, para se juntar a nós. Era muito bom que se
juntasse mais um a esta associação, para termos mais força",
declara Carlos Nóbrega ao Região Sul/DiáriOnline Algarve.
O Imortal, a competir nesse escalão, é um exemplo de como,
isoladamente, se pode partir para um projecto do tipo. Os
responsáveis do clube de Albufeira, em conjunto com a
autarquia, conseguiram reunir o apoio de dezenas de
empresários do concelho, com o objectivo de levar o emblema à
Liga em poucos anos.
Será essa a solução, cada um por si? "Esse é o pior caminho",
considera o líder do Olhanense. "Em conjunto, há que avançar
para acções concretas: irmos ter com as empresas e arranjar
apoios. Não podemos estar à espera dos políticos. Só queremos,
em conjunto, fazer algo positivo", atira, a concluir, João
Sintra. |
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SAD no horizonte... |
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Se a "lotaria" futebolística o brindar com a Liga, o
Olhanense está preparado para enfrentar as adversidades.
Carlos Nóbrega, o presidente do clube, aposta em três
vertentes para a auto-sustentabilidade do emblema rubro-negro.
"A ideia é criar condições para que o futebol seja gerido de
forma profissional, de forma a chamar mais investidores",
adianta o responsável pelo clube de Olhão. Os pilares vão
assentar nos escalões de formação, no aproveitamento
imobiliário e na componente desportiva.
Na vertente económica, as zonas dos estádios Padinha e José
Arcanjo vão conhecer outra face. No campo que serve como
"casa" dos escalões jovens, está em estudo a construção de uma
urbanização e o novo bingo, cujas actuais instalações darão
lugar a um investimento imobiliário.
Na envolvente ao actual recinto que a equipa sénior utiliza,
"estamos à espera que a autarquia emita as licenças de
construção para a construção dos dois prédios em causa",
reforça Nóbrega.
O presidente do Olhanense admite, ainda, a formação de uma
Sociedade Anónima Desportiva (SAD). "Essa possibilidade não
está, de maneira nenhuma, fora de questão. Pode servir para
atrair mais investimentos. É uma hipótese que está a ser
cuidadosamente estudada, de forma a acautelar todas as
situações, para que seja possível levá-la mais tarde a
Assembleia Geral do clube", adianta.
Em termos desportivos, a vinda de Nicolas Alnoudji - campeão
olímpico pelos Camarões - representou o primeiro passo de uma
política que colocará mais jovens de grande potencial vindos
de África no emblema, que servirá como rampa de lançamento
para a Europa. Em Janeiro, mais promessas poderão chegar ao
José Arcanjo.
Estes projectos descansam Carlos Nóbrega no caso de o
Olhanense garantir, esta época, a subida à Liga. "Não
enjeitaremos essa hipótese. A partir da altura em que
chegarmos ao primeiro escalão, recebemos logo cerca de milhão
e meio de euros", lembra.
"Há condições para ter o Olhanense na Liga, reforçando e
trabalhando as três vertentes enunciadas: se suceder este ano,
não será motivo de grande preocupação, porque os processos já
estão em curso", conclui o presidente do emblema mais
representativo de Olhão. |
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Futuro chega em cinco anos |
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Um novo estádio, um centro de estágios e a
rentabilização comercial dos terrenos e do património do clube
são as pistas deixadas por João Sintra de forma a preparar o
futuro do emblema. No prazo de cinco anos, a face do
Portimonense será renovada.
A "casa" do Portimonense deverá ser o novo estádio municipal,
cujo processo, liderado pela Câmara Municipal de Portimão,
caminha a passos largos, para gáudio do líder dos alvinegros.
"Não temos nada que ver com isso, dado ser um projecto
camarário. Mas estamos satisfeitos por ver a autarquia na base
do processo", disse João Sintra. O concurso público
internacional já foi lançado e, em finais de Fevereiro, a obra
será adjudicada. "Dentro de 2/3 anos, teremos um estádio
novo", aponta o presidente do Portimonense.
Mas o futuro do clube está também nos jovens. E para a zona
dos terrenos do Major David Neto há projectos bem definidos,
que passam pela sua rentabilização e pela construção de um
centro de estágio, destinado à formação de jovens futebolistas
até aos 18 anos.
Ou seja, "em vez de levarmos um ano, como pensávamos, e termos
já a equipa a lutar, na próxima época, na Liga, levamos 4/5
anos a concluir este projecto", sublinha.
Porém, o Portimonense está desportivamente numa situação
positiva, perto do topo da classificação. E se surgir a
possibilidade da Liga? João Sintra brinca: "Em vez das actuais
três horas de sono passava a dormir o dobro, porque era um
sonho que teria concretizado."
Realisticamente, o líder do clube algarvio não se vê no
principal escalão. "Tudo o que venha por acréscimo, nós
aceitamos, mas temos a certeza absoluta de que não o vamos
conseguir. Além do plantel ser limitado, há outras equipas com
orçamentos bem superiores ao nosso", declara.
A certeza de que esse passo representaria muitas mudanças está
presente no discurso de Sintra. "Depois, teríamos de rever
muitas coisas. Desde logo, o nosso estádio não tem capacidade
para receber partidas do principal escalão do nosso futebol.
Em suma, é complicado, num presente imediato, chegar ao topo",
conclui. |
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