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[ 24
de Outubro de 2005 ] |
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Em: "Observatório
do Algarve"
(www.observatoriodoalgarve.com)
Por: Pedro Maia |
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Olhão quer dar o salto! |
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A excelente campanha do Olhanense nas primeiras
jornadas do campeonato da Liga de Honra está a deixar os
adeptos entusiasmados. Enquanto a direcção do clube aponta
baterias à permanência, nas bancadas pede-se a subida.
Apesar de ter empatado o último jogo em casa frente ao
Barreirense (1-1), este sábado, o Olhanense continua no
topo da tabela classificativa. Quando estão cumpridas oito
jornadas, o sonho começa a ganhar forma nas bancadas do
estádio José Arcanjo pela voz dos adeptos.
“Temos equipa. Reforçamos o meio-campo e a subida pode não
ser uma miragem”, sustenta Luciano Serra, sócio do clube
há três anos, sublinhando que o Algarve necessita de “um
ou dois clubes” no escalão máximo do futebol português.
Armando Gonçalves é adepto do clube há mais de meia
centena de anos e sócio desde 1961. Vai dizendo que “tudo
é possível”, até porque à falta de uma “estrutura
financeira de base” corresponde o “empenho da direcção” em
arranjar verbas para o sustento do clube. “É um desejo de
todos os olhanenses a subida”, garante.
Para Sérgio Mendonça, jovem adepto, o segredo de tão boa
campanha está na manutenção dos principais jogadores da
época transacta. “Para além disso reforçamo-nos. Acredito
que é possível chegar ao fim em primeiro ou em segundo”,
augura.
Apesar do entusiasmo dos adeptos, a direcção e a equipa
técnica tentam refrear os ânimos, sublinhando que o
objectivo prioritário é a permanência.
Para já o clube ocupa o primeiro lugar da tabela
classificativa. Ao mesmo tempo, a cidade começa a
acreditar que é possível manter a confiança e a posição
até ao final da temporada.
O Olhanense é um histórico do futebol português com vasto
palmarés entre vitórias nacionais e regionais. O ponto
alto do clube foi a conquista do campeonato nacional na
época 1923/24. |
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Objectivo é a permanência na Liga de Honra |
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O presidente do Olhanense, Carlos Nóbrega, não
embarca no clima de euforia dos adeptos, mas adianta que a
equipa “pode pensar mais à frente” depois de estar
assegurada a permanência na Liga de Honra.
A subida de divisão na corrente época não estava nos
planos do clube, mas o início de campeonato promissor pode
alterar o discurso da direcção, que até agora tem sido de
alguma contenção.
“A luta pela permanência é o nosso objectivo principal.
Não quer dizer que com trabalho e querer não se possa
pensar mais à frente”, admitiu Carlos Nóbrega ao
Observatório do Algarve.
Para já a equipa vai mantendo os pés assentes na terra até
porque a época pode reservar algumas surpresas, tendo em
conta a reestruturação dos campeonatos nacionais. É que
nesta temporada sobem apenas duas equipas e descem seis.
Ainda assim, o presidente do Olhanense reconhece que
manter uma equipa na Liga de Honra “dá prejuízo”.
“A meta final do nosso projecto é a subida de divisão.
Continuar com o Olhanense na Liga de Honra é um desgaste
enorme. Só dá é prejuízo”, justificou.
Mesmo assim, Carlos Nóbrega vai adiantando que o clube
vive um momento de estabilidade económica, existindo
apenas alguns “problemas de tesouraria” que não perturbam
o funcionamento da equipa. |
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Paulo Sérgio cauteloso |
“O nosso discurso não altera uma vírgula”, afiançou o
treinador do Olhanense ao Observatório do Algarve sobre o
objectivo programado para a época 2005/06: “Estamos bem
embalados para garantir a permanência e esse é o nosso único
propósito”.
Paulo Sérgio até gosta de ver o entusiasmo dos sócios e da
cidade em torno da equipa porque dão um “contributo importante”
para fortalecer o grupo de trabalho. “Acho bem que os adeptos
tenham essa expectativa [da subida]. Todos juntos seremos mais
fortes”, acrescentou.
No entanto, o técnico aponta que este campeonato será mais
difícil, embora os pontos conquistados até agora motivem a
equipa para outros voos. |
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Venha daí a subida! |
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Não consigo esconder o entusiasmo em ver o Olhanense
no primeiro lugar da tabela na Liga de Honra. Seria fantástico se a
equipa conseguisse colocar-se entre os grandes do futebol nacional.
O Algarve precisa de uma equipa no principal escalão do futebol
português, seja o Olhanense, o Portimonense ou outra qualquer.
Sinto falta de ver futebol de primeira, de ir ao estádio, de
aplaudir o espectáculo e de discutir os lances com os colegas de
bancada. Creio não ser o único.
Apesar de ser de fora, seguia os jogos do Farense como um adepto da
casa. Depois da hecatombe que provocou o descalabro da equipa, a
capital do Algarve ficou mais entristecida. Era um regozijo ir ao
São Luís, quer fosse em trabalho (sempre que havia jogo grande),
quer fosse como um simples amante do desporto rei. Dava gozo,
sobretudo nas tardes solarengas de domingo.
Obviamente que ir ver o clube a disputar a III Divisão nacional com
a equipa de juniores não é de todo apelativo para quem gosta de ver
bom futebol. É um sinal dos tempos.
O panorama é ainda mais enfadonho quando se olha para o Estádio
Algarve, esse mega recinto com capacidade para 30 mil almas.
Na época passada, Louletano e Farense dividiram-no. Jogou-se ali
futebol todos os fins-de-semana. Mas um palco daqueles não aquece
com escassas centenas de adeptos. Precisa de milhares. E os milhares
precisam de artistas, desses que jogam no Benfica, no Porto ou no
Sporting.
Acredito que o Olhanense passaria a jogar naquele recinto caso
conseguisse a subida. Mais difícil seria o Portimonense, mas não
impossível. Porque o José Arcanjo e o Municipal de Portimão não têm
condições mínimas e porque o Estádio Algarve tem todas, no caso do
Olhanense a praticamente 10 quilómetros de distância.
O Algarve tem de deixar de ser mesquinho e aproveitar uma estrutura
de grande qualidade como o recinto do Parque das Cidades. Mas para
isso é preciso regressar à ribalta. Se calhar é cedo para sonhar,
quando o campeonato ainda vai no adro. Espero que ver um clube
algarvio entre os grandes não passe de um sonho. Antes uma
realidade… e já na próxima época. Venha daí a subida!
Pedro Maia |
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