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MANUEL LUÍS
Carlos Nóbrega foi eleito presidente do Olhanense, na passada
quarta-feira, batendo claramente a lista liderada por Bruno Santos.
Foi uma vitória natural de Nóbrega, que era um dos vice-presidentes
da Direcção liderada por José Cardoso, que abandonou o lugar ao fim
de 14 anos.
O novo líder do Olhanense mostrou-se ciente de que não é fácil a sua
missão, pelo menos a julgar pelo relatório e contas aprovado em
assembleia geral - convocada para o efeito - no dia anterior ao acto
eleitoral. "Já estava à espera dos números aprovados na
assembleia. O clube tem cerca de um milhão de euros de dívidas a
fornecedores, bancos e associados que cá colocaram dinheiro",
explicou.
Uma situação financeira que, apesar de tudo, não atemoriza o Carlos
Nóbrega. "Está tudo controlado. Com o projecto imobiliário em
curso junto ao estádio José Arcanjo, pagaremos as dívidas a esses
associados, aos fornecedores resolve-se no dia-a-dia, e as dívidas
bancárias são negociáveis, pois temos fontes de rendimento que dão
para liquidar esses montantes."
Com a equipa na Liga de Honra, e apesar de os resultados não
corresponderem às esperanças de muitos, a tranquilidade "dos
ordenados do plantel em dia" leva Carlos Nóbrega a perspectivar
o futuro próximo com esperança: "Vamos estabilizar a equipa
profissional, já que as nossas expectativas eram maiores e não se
têm concretizado por manifesta falta de sorte, algumas lesões e nada
mais, pois qualidade não nos falta."
A palavra SuperLiga continua a constar do vocabulário do novel
presidente. "Queremos começar já a tratar dos alicerces para a
próxima época, sempre com o técnico Paulo Sérgio. Agora, a subida de
escalão dependerá daquilo que o Algarve nos possa dar. Se o Algarve
entender que quer ter uma ou duas equipas na SuperLiga, tem de nos
ajudar", rematou.
Mas o futuro a médio prazo do Olhanense, confessou, passa por
"prosseguir com os projectos imobiliários em curso, para os quais se
estão a recolher orçamentos, onde estão englobados os terrenos
circundantes ao Bingo do clube, com um pedido de viabilidade à
Câmara, e com a construção de um espaço comercial onde se encontra o
velho Estádio Padinha, onde se iniciaram os primeiros passos e
contactos com as pessoas certas".
A concluir, Carlos Nóbrega anunciou que a sua empresa - a Turmuge -
vai terminar o seu patrocínio do clube, pois entende que "o
projecto do Algarve tem de ter pés para andar." E adverte:
"Não houve no passado nem haverá no futuro qualquer tipo de
participação das empresas dos directores do clube nestes negócios." |