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Lista B, liderada por Bruno Santos, candidata aos órgãos sociais do
Olhanense, e composta, na quase totalidade, por jovens adeptos
daquele emblema, confessa mesmo já ter ganho: ao conseguir entrar na
"corrida" e promover o debate no clube. As críticas dirigem-se,
principalmente, à figura de Carlos Nóbrega, "desconhecido" no meio
futebolístico olhanense.
"Não concordamos com listas únicas. Só o debate promove a evolução",
resumiu Miguel Saial, candidato a vice-presidente para a área das
Relações Públicas, na apresentação pública do elenco, que decorreu
sábado de manhã, num estabelecimento da baixa da cidade.
Segundo o manifesto eleitoral da Lista B, "a nossa principal
intenção não é a de ganhar estas eleições - sabemos do pouco peso
que temos - mas tão-somente lembrar aos sócios que têm as mesmas
preocupações dos componentes desta lista, que podem e devem ser
ouvidos e expressar a sua opinião. Não aceitamos hipotecar a alma do
clube em troca de eventuais resultados desportivos imediatos".
O candidato não esconde que os jovens da Lista B estão ligados à
claque e ao site não oficial do emblema. Mas pediu à comunicação
social para caracterizar, do mesmo modo, os membros da outra lista,
numa referência directa ao líder da mesma: "Quem é Carlos Nóbrega?
De onde veio? Que interesses tem no Olhanense? Há quanto tempo está
no clube?", questiona. "Não o conhecemos nem sabemos o que fez."
"Propomos que patrocinadores e investidores não tenham cargos na
Direcção. Essa presença ou monopolização pode lesar o clube na
negociação do melhor contrato possível em áreas onde detêm
interesses. Com isto queremos apenas acautelar que o Artigo 68.º dos
estatutos do clube seja cumprido", resumem no programa os candidatos
pela Lista B. Em causa, está o facto de uma das empresas de Carlos
Nóbrega, a Turmuge, patrocinar o clube.
A Lista B afirma-se surpreendida com o facto de ter surgido, como
principal candidato, um "vice com muito menos tempo de associado em
vez de outros dirigentes, que são os principais obreiros" do actual
momento do Olhanense.
Para os jovens candidatos, a "política de alienação de património
imobiliário" da colectividade deve ser "seriamente repensada" e, "a
acontecer, deverá ser na mínima medida possível, nunca por 'atacado',
e apenas em casos extremos e de elevado retorno para o clube,
devendo ser sempre demonstrado que o clube escolheu, realmente, a
proposta mais vantajosa".
Até a apresentação da Lista A, que ocorreu em Manta Rota, e a
habitual apresentação de início de época, no Atlantic Park, merecem
críticas. "Não conseguimos alcançar o significado da apresentação de
candidaturas para uma lista aos corpos sociais ou a apresentação da
equipa de futebol feitas fora da nossa cidade", diz-se no manifesto.
"Não" ao Estádio Algarve
A ideia de Carlos Nóbrega segundo a qual seria necessário utilizar o
Estádio Algarve para alguns encontros do Olhanense também foi alvo
de um ataque cerrado. "A equipa nunca deverá jogar 'em casa' fora de
Olhão, principalmente em caso de subida de escalão e sobretudo
frente aos chamados grandes. Essa hipótese contraria, quanto a nós,
a razão da existência do clube, a sua mística e a própria prática do
futebol na sua vertente desportiva."
"Tacanhez" foi a palavra utilizada para caracterizar a forma como
foram recebidos na altura de entregar a lista. "Que lista é esta?
Que palhaçada é esta? Basta vocês virem votar todos e ganham as
eleições, disseram-nos. Provavelmente têm medo que outros sócios
constituam uma alternativa credível", sublinhou Miguel Saial.
Mas os jovens candidatos não têm medo de pegar o menino nos braços.
"A nossa principal intenção está ganha: a lista ser aceite e
promover o debate. Se ganharmos, vamos pegar no menino pois, apesar
de sermos jovens, há aqui pessoas com provas dadas", finalizou Bruno
Santos, candidato a presidente da direcção.
A Lista B apresenta José Alberto Palma e Carlos Luiz como candidatos
às presidências da Assembleia Geral e Conselho Fiscal. Na direcção,
propõem-se: Bruno Santos (presidente) e os vices João Barbosa
(Futebol Profissional e Amador), Marcelo Marreiros (Modalidades
Amadoras), João Pité (Administração e Finanças), Miguel Saial
(Relações Públicas) e Pedro Manso (Instalações Sociais).
Edgar Pires |