[ 12 de Setembro de 2004 ]

VIAGEM À AMADORA: UM DIA NA VIDA DE UM ADEPTO

  Texto enviado por um adepto rubro-negro devidamente identificado,
mas que prefere assinar com o pseudónimo "Kavanda"

Domingo, 06h30 da manhã...
Toca a levantar, "Já estou atrasado!"

Quarenta e cinco minutos mais tarde o autocarro estacionado em frente aos mercados está pronto a partir, com todos os lugares ocupados, exepto um, o meu!

A viagem inicia-se e os cânticos de apoio ao Olhanense começam a entoar no interior da viatura. Uma hora mais tarde o primeiro problema surge, e a paragem na estação de serviço seguinte é obrigatória... um dos adeptos sentiu-se mal (provavelmente devido à noite anterior...).

Nada de grave e a viagem continua a um ritmo muito animado, até que alguém identifica um ladrão de galinhas entre os passageiros...

Sim, leram bem, um ladrão de galinhas! Sentadinho na quinta fila do lado esquerdo do autocarro. Os cânticos passam a ser muito mais fervorosos, mas desta vez em relação ao larápio... só visto!

Os quilómetros vão ficando para trás, e é então que acontece a verdadeira primeira paragem programada pela organizadora. É hora do "Mata-Bicho". O alcóol intervem junto com os rissóis e restantes petiscos.

A paragem seguinte é para almoçar mesmo como deve ser e, mais uma vez, acontece a invasão à terra amiga de Setúbal. Como habitualmente fomos muito bem recebidos, no caminho para a "tasca" desejavam-nos sorte para o jogo, o que era retribuído.

O estabelecimento escolhido para almoçar é que ficaria completamente lotado com a nossa excursão...

"Tá a fome em monte!"
Seis euros e meios dava direito a comida à descrição... febras, bacalhau, sardinha, frango...
Houve menino que comeu três doses!
O alcóol já era rei e então aconteceu o incrível: a tasca tinha "karaok". Foi a loucura total para alguns "fadistas" que pareciam já não querer abandonar o estabelecimento. Cá fora o motorista já stressava, pois já estávamos algo atrasados...
"O jogo é às quatro, na é às cinco!"

Com muito custo lá se conseguiu levar toda a gente de volta ao veículo que nos transportava, e a toda a velocidade arrancámos em direcção à Amadora. Só parámos na portagem da ponte, onde o trânsito não ficou indiferente a um autocarro praticamente todo aos saltos, e onde um megafone de vez em quando aparecia lá atrás, de fora, através dum cantinho da última janela. Os moços simplesmente não podiam ver uma gaja passar...

Chegados à Amadora um pouco menos de uma hora antes do jogo, ainda houve tempo para beber umas cervejinhas nos cafés em redor do Estádio José Gomes, onde fomos encontrando outros conterrâneos nossos... Parecia que estávamos em Olhão!

Entre populares e ilustres, muita gente da nossa cidade vagueava por ali (e até mesmo um conhecido filho de Tavira) com as cores rubro-negras, e é claro que não podia faltar o mítico "Ninja", que surgiu em grande estilo por entre o trânsito, ignorando a passadeira que dava praticamente entrada directa para o café onde nos encontrávamos!

«Ah, tava a ver que vocês não tinham pretos em Olhão!», exclamou um adepto amadorense que se encontrava connosco no estabelecimento (Ou terá sido «Ah, vocês também têm pretos em Olhão?», agora já não podemos precisar).

O pessoal estava eufórico, e com o aproximar da hora de início da partida, a entrada no estádio foi tendo lugar, com uma segurança bastante apertada, que revistou muita gente.

As faixas de incentivo eram colocadas na rede, as da claque mais radical e as do "Loucos do Bairro 16 de Junho" que, para quem não sabe, são... os loucos das Barréquinhas!

A primeira parte decorreu muito morna, sem grande interesse, mas lá estávamos nós, sempre a apoiar o Olhanense, e alguns já estavam roucos...

 

Ao intervalo alguma confusão com a segurança da porta da superior norte, onde se encontrava a maior parte dos adeptos rubro-negros. Num dia de muito sol o pessoal estava com a garganta sêca e quem quisesse sair do recinto para beber uma cervejinha (com alcóol) não poderia voltar a entrar... TRISTEZA!

Alguns adeptos mais exaltados armaram mesmo alguma confusão, curiosamente... os mais velhotes!

No recomeço a partida surge o primeiro "balde de água fria", com o golo do Estrela e a festa da sua claque...

Mas a equipa não desarmou e o nosso púbico continuou a apoiar!

 

Até que... surge o segundo golo do adversário.

Foi o desalento total, mas o futebol é assim. O Olhanense ainda tentou reduzir, mas o jogo acabou e o melhor que conseguimos foram duas bolas no poste.    

O povo de Olhão abandona o Estádio, uns faziam a festa apesar da derrota, outros trocavam cachecois e alguns, mais exaltados com a derrota e ainda revoltados com o facto de não terem podido sair ao intervalo, insultam os seguranças. Um dos nossos conhecidos indefectíveis dos jogos fora (que não se cansou de insultar o guardião contrário na segunda parte) proporcionou até exibições de rabo ao léu na via pública. O que a alcóol faz...

Tudo de volta ao autocarro, para iniciar o regresso a casa. E o ladrão de galinhas continuava lá...

A caminho de casa, a paragem obrigatória para jantar e o pessoal voltou a alegar-se...

Quis o destino que encontrássemos quatro excursões de vários pontos do país, onde ouvia-se o "corridinho" à porta dos autocarros e estava o baile armado!

Dezenas de pessoas dançavam sem parar e foi então que tivemos de intervir... com o nosso tambor, megafone e voz entrámos na festa! ARRASÁMOS!

Acabou a folia quando tivemos de regressar, pois já era tarde. Ainda fomos forçados a uma paragem de emergência, visto que a cerveja provoca coisas dessas... toca a urinar!

De novo no autocarro, e a poucos quilómetros de casa, eis que surge um aroma no ar... não, não eram sequer fumos de aromas psicotrópicos, mas sim... FEZES!

Alguém cheirava a merda! Quem seria?
Só Deus sabe... era impossível respirar no autocarro, e a solução foi abrir os vidros durante a meia centena de quilómetros que faltava.

Ainda assim a festa não parou, tal como os regressados cânticos dedicados ao "Rouba-Galinhas". À chegada a Faro o cheiro a fezes intensificava-se, e pedimos ao condutor para acelerar no trajecto que faltava cumprir.

Oito quilómetros depois chegámos finalmente à casa de partida... a nossa querida cidade! Mesmo com a derrota, vale sempre a pena acompanhar a equipa que amamos.
SCÓ NUNCA ESTARÁS SÓ!

 
TEXTO: Kavanda

FOTOS: Tiago Rodrigues / Pedro Manso
 

 

 

     
     
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