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Num ano que bem pode considerar-se "horribilis" para o
futebol algarvio, uma equipa marcou uma posição de grande
destaque, como se sabe: a do Olhanense, clube de imensas
tradições no futebol português - chegou, na primeira fase
dos campeonatos organizados em Portugal, a ser campeão
nacional, em 1924 - que vai disputar em 2004-2005 a Liga
de Honra, catorze anos depois de ter caído na divisão
inferior. Motivo pois para uma conversa com o presidente -
José Cardoso - de resto um homem que durante mais tempo
seguido presidiu aos seus destinos. Curiosamente, um homem
do Norte.
- Que é que se passa? Ah, grande Olhanense?
- Sim , foi uma situação que se foi preparando pouco a
pouco, para que se pudesse atingir esse objectivo.
- E era para esta época?
- Ora bem, sou presidente há treze anos e, quando
entrei, as dificuldades do Olhanense eram imensas. Por
isso tivemos, tal como lhe disse, de ir preparando o
caminho pouco a pouco.
- Mas era para este ano, ou ainda não?
- Quando começámos o campeonato, a nossa ideia não era
a subida. No entanto, tudo se foi compondo de maneira a
que a gente assumisse essa ideia, até porque o passivo do
clube já está mais ou menos orientado. E subimos!
- Ainda por cima com um treinador da casa, que tinha
acabado de pôr termo à sua carreira como jogador...
- Era ainda jogador! Mas fizemos-lhe um convite para
ele pegar na equipa, e ele aceitou. Pelo que bem pode
dizer-se que lançámos mais um jovem treinador.
- Quantos sócios tem o Olhanense?
- Ultimamente, o número de sócios tem vindo a crescer.
Estava há bastante tempo nos 2300 sócios. Agora, são 2700,
por aí.
- Qual o orçamento para esta época que terminou?
- 300 mil euros.
- Para fazer uma boa Liga de Honra, o Olhanense vai
aumentar muito esse orçamento?
- Ainda não sabemos muito bem qual vai ser, porque
primeiro estamos a delinear as coisas, pensando onde é que
se pode ir buscar dinheiro. Só depois disso é que
poderemos orçamentar a próxima época.
- Quer dizer que não vão entrar em loucuras, é isso?
- Nada de loucuras, eu nunca entrei nisso, nem no
futebol, nem nas minhas empresas. É por isso que temos os
salários em dia, os prémios em dia e não devemos nada nem
ao Fisco nem à Segurança Social.
- Vai manter o mesmo técnico, na próxima época?
- Sim, e com muito gosto, depois do belo trabalho que
ele fez. Nem poderia pensar noutra alternativa, é claro.
- O senhor é o presidente que mais tempo esteve em
funções no Olhanense, não é verdade?
- Sim, em anos seguidos de presidência, bati todos os
recordes.
- E no entanto é nortenho...
- Sou de Viseu.
- Quando se fixou no Algarve?
- Em 1978, estabeleci-me em Olhão...
- Casou-se com uma algarvia?
- Não, já vinha casado de Viseu, onde aliás os meus
filhos nasceram. Mas viemos para aqui e aqui criámos
raízes. Pelo que se torna muito difícil regressar ao
Norte.
- É empresário de quê?
- Do ramo do turismo e da construção, para além de que
tenho algumas casas de móveis e de iluminação.
- E tem quantos anos?
- 54.
- Voltemos ao futebol: esta época foi terrível, para o
futebol algarvio...
- Infelizmente, assim é: o Algarve está a atravessar
uma grave crise no futebol.
- Mas tem um grande estádio - o Faro/Loulé - e eu
pergunto-lhe: está a pensar requerer a utilização desse
estádio por arte do Olhanense?
- Não, tenho ouvido as ideias a esse respeito da nossa
massa associativa e julgo que tirar a equipa de Olhão e
jogar naquele estádio ia fazer com que muitos adeptos não
nos acompanhassem nos nossos jogos.
- Então quer dizer que vão continuar a jogar em
Olhão...
- Exactamente, penso que em Olhão temos mais
condições, desde que o nosso estádio também possa
oferecer-nos condições boas.
- O estádio é municipal?
- Não, os nossos estádios são mesmo nossos: o velho
Padinha, onde o Olhanense foi campeão nacional, e o José
Arcanjo, onde treina e joga a nossa equipa principal.
- Uma coisa: acha que o Euro'2004 vai trazer grandes
benefícios para o Algarve?
- O tempo do Euro'2004 é muito curto pelo que, em
matéria de turismo, por exemplo, os benefícios não vão
poder ser grandes.
- A terminar: pensa ficar ainda por muito tempo à
frente do Olhanense?
- O meu mandato termina em Março, Abril. Por isso, até
lá, vou continuar a assumir as funções para que fui
eleito. Depois disso, logo se vê. Depende.
- De quê?
- De várias coisas. Na altura logo se vê.
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