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Relativamente aos incidentes que ocorreram
após o jogo do passado Domingo, temos
a dizer que nada, mas mesmo nada, os faria prever. A chegada a
Vendas Novas e as horas antecedentes à partida, onde adeptos rubro-negros andaram pela cidade Alentejana e contactaram com as
gentes locais, e mesmo o ambiente antes do jogo, nas imediações do
Estádio e no "invadido" café do Estrela, foi sempre de festa, bebida
e trocas de impressões sobre os dois clubes e cidades.
Não queremos pintar um cenário onde pareça que os Olhanenses foram
os "anjinhos", mas há que dizer que, no final da partida, foram provocados até ao limite
pelos adeptos da casa que não souberam perder. Durante os noventa
minutos, grande parte dos agentes da GNR situados na zona de maior
número de Olhanenses até se divertiram com os bem humorados
adeptos rubro-negros. Já pelo que aconteceu após o jogo, parece que
nem todos eles tinham o mesmo sentido de humor e fair-play...
A primeira nota negativa aconteceu logo à entrada,
quando alguns adeptos Olhanenses repararam que quem estava a cortar
os bilhetes não estava a cortá-los, mas sim a... recebê-los.
Inteirinhos, sem qualquer tipo de devolução ao espectador.
Alentejanos mas pouco, portanto.
Este aparente desfasamento da realidade de uma prova federativa não
ficou por aqui. Num dos topos onde se concentraram muitos dos
adeptos vindos de Olhão, um
bar vendia de tudo... desde a cervejinha "proibida" (que nunca se
sabe se é com álcool ou não) até copos de vinho (nesse caso é capaz
de ser um bocado mais óbvio). Não admira, depois,
que os adeptos da casa tivessem tido tão mau perder.
Findo o jogo, à saída, mas ainda dentro do recinto, o que poderia não ter passado de
trocas de "bocas" entre adeptos da casa e forasteiros,
transformou-se numa grande confusão e foi o rastilho para o que se
veio a passar lá fora.
Tudo devido ao mau perder de alguns
Alentejanos e, principalmente, ao comportamento deplorável e
"caseiro" de alguns agentes da GNR. Depois de
um primeiro incidente entre adeptos Alentejanos e Algarvios, em que
o agente da GNR partiu do curioso princípio que a parte provocadora
só poderia ter sido forasteira, a coisa
quase deu para o torto, mas felizmente resolveu-se.
Curiosamente, esse primeiro incidente foi sanado pelos Olhanenses
presentes, em clara maioria e mais interessados em festejar a
vitória do que qualquer outra coisa.
Quando tudo já parecia bem
encaminhado, aparece no local, de rompante, um agente da GNR (o
único com óculos escuros, como vários Olhanenses depois se queixaram
a outros colegas seus, menos agressivos e mais interessados em
manter a ordem) e tenta prender o primeiro adepto de cachecol
vermelho e preto que lhe apareceu à frente. O rapaz que ia a passar,
completamente alheado do assunto, ficou estupefacto e a revolta das gentes de
Olhão foi imediata. Saliente-se que só mesmo devido à sensatez da
maior parte delas é que não aconteceram, logo ali, cenas de
violência. Os Olhanenses, que provavelmente até estariam em maior
número do que a totalidade de adeptos locais e agentes da
ordem presentes no local, foram sempre a parte mais sensata, apesar
de alguns ânimos mais exaltados. Ou seja, duas situações de conflito
acabariam por ser apaziguadas devido à acção de vários Olhanenses.
Tudo isto passou-se à saída, mas ainda dentro das instalações do
Estádio. Cá fora, outro "filme" estava a ser montado pelos adeptos
da casa, que formaram duas filas (qual "garrafão de vinho vai
entrar...") e
aguardavam a saída dos adeptos forasteiros. Para quem tinha sido
acabado de ser derrotado por 3-0, digamos que denotaram uma boa
capacidade de mobilização a seguir à partida.
Estariam à espera
dos seus jogadores para confortá-los? Não sabemos, mas após algumas
"bocas" que atrasaram a entrada dos adeptos Olhanenses num dos
autocarros de uma das excursões (e quando parecia que tudo não tinha
passado de desentendimentos próprios de um jogo de futebol mais
acalorado) o caos
viria a instalar-se:
Os Olhanenses que haviam acabado de entrar no autocarro, foram
"obrigados" a sair, pois observaram alguns Alentejanos a tentar
descarregar as suas frustrações em grupos de adeptos rubro-negros mais
reduzidos, como viaturas transportando famílias, sem qualquer
respeito por mulheres e crianças. Foi a confusão generalizada, e aí,
pela primeira vez na tarde, o Alentejo viu o que eram
Olhanenses realmente revoltados e "interessados" em agredir alguém.
O limite para quem tinha ido apenas para fazer a festa tinha sido
atingido. E não foi bonito de se ver. Felizmente nem há fotografias disso.
A partir daí a GNR quase que só pedia desculpas e para que, «por
favor», arrancassem com o autocarro, "esquecendo" as agressões a
senhoras e o péssimo comportamento de alguns dos seus agentes, entre
os quais o dos óculos escuros, que
entretanto "desapareceu", tal foi o número de queixas sobre a sua
acção.
Como curiosidade final, para aquilatarmos a isenção dos agentes da
GNR local, gostávamos de saber que fim teve o Alentejano vestido de
camisola laranja, o qual os agentes tiveram de "prender" para que não fosse "apanhado" pelos adeptos
Olhanenses após ter agredido uma senhora...
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