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[ 16 de Dezembro de 2003 ]

 

ALENTEJANOS COM MAU PERDER...

Relativamente aos incidentes que ocorreram após o jogo do passado Domingo, temos a dizer que nada, mas mesmo nada, os faria prever. A chegada a Vendas Novas e as horas antecedentes à partida, onde adeptos rubro-negros andaram pela cidade Alentejana e contactaram com as gentes locais, e mesmo o ambiente antes do jogo, nas imediações do Estádio e no "invadido" café do Estrela, foi sempre de festa, bebida e trocas de impressões sobre os dois clubes e cidades.

Não queremos pintar um cenário onde pareça que os Olhanenses foram os "anjinhos", mas há que dizer que, no final da partida, foram provocados até ao limite pelos adeptos da casa que não souberam perder. Durante os noventa minutos, grande parte dos agentes da GNR situados na zona de maior número de Olhanenses até se divertiram com os bem humorados adeptos rubro-negros. Já pelo que aconteceu após o jogo, parece que nem todos eles tinham o mesmo sentido de humor e fair-play...

A primeira nota negativa aconteceu logo à entrada, quando alguns adeptos Olhanenses repararam que quem estava a cortar os bilhetes não estava a cortá-los, mas sim a... recebê-los. Inteirinhos, sem qualquer tipo de devolução ao espectador. Alentejanos mas pouco, portanto.

Este aparente desfasamento da realidade de uma prova federativa não ficou por aqui. Num dos topos onde se concentraram muitos dos adeptos vindos de Olhão, um bar vendia de tudo... desde a cervejinha "proibida" (que nunca se sabe se é com álcool ou não) até copos de vinho (nesse caso é capaz de ser um bocado mais óbvio). Não admira, depois, que os adeptos da casa tivessem tido tão mau perder.

Findo o jogo, à saída, mas ainda dentro do recinto, o que poderia não ter passado de trocas de "bocas" entre adeptos da casa e forasteiros, transformou-se numa grande confusão e foi o rastilho para o que se veio a passar lá fora.

Tudo devido ao mau perder de alguns Alentejanos e, principalmente, ao comportamento deplorável e "caseiro" de alguns agentes da GNR. Depois de um primeiro incidente entre adeptos Alentejanos e Algarvios, em que o agente da GNR partiu do curioso princípio que a parte provocadora só poderia ter sido forasteira, a coisa quase deu para o torto, mas felizmente resolveu-se. Curiosamente, esse primeiro incidente foi sanado pelos Olhanenses presentes, em clara maioria e mais interessados em festejar a vitória do que qualquer outra coisa.

Quando tudo já parecia bem encaminhado, aparece no local, de rompante, um agente da GNR (o único com óculos escuros, como vários Olhanenses depois se queixaram a outros colegas seus, menos agressivos e mais interessados em manter a ordem) e tenta prender o primeiro adepto de cachecol vermelho e preto que lhe apareceu à frente. O rapaz que ia a passar, completamente alheado do assunto, ficou estupefacto e a revolta das gentes de Olhão foi imediata. Saliente-se que só mesmo devido à sensatez da maior parte delas é que não aconteceram, logo ali, cenas de violência. Os Olhanenses, que provavelmente até estariam em maior número do que a totalidade de adeptos locais e agentes da ordem presentes no local, foram sempre a parte mais sensata, apesar de alguns ânimos mais exaltados. Ou seja, duas situações de conflito acabariam por ser apaziguadas devido à acção de vários Olhanenses.

Tudo isto passou-se à saída, mas ainda dentro das instalações do Estádio. Cá fora, outro "filme" estava a ser montado pelos adeptos da casa, que formaram duas filas (qual "garrafão de vinho vai entrar...") e aguardavam a saída dos adeptos forasteiros. Para quem tinha sido acabado de ser derrotado por 3-0, digamos que denotaram uma boa capacidade de mobilização a seguir à partida.

Estariam à espera dos seus jogadores para confortá-los? Não sabemos, mas após algumas "bocas" que atrasaram a entrada dos adeptos Olhanenses num dos autocarros de uma das excursões (e quando parecia que tudo não tinha passado de desentendimentos próprios de um jogo de futebol mais acalorado) o caos viria a instalar-se: Os Olhanenses que haviam acabado de entrar no autocarro, foram "obrigados" a sair, pois observaram alguns Alentejanos a tentar descarregar as suas frustrações em grupos de adeptos rubro-negros mais reduzidos, como viaturas transportando famílias, sem qualquer respeito por mulheres e crianças. Foi a confusão generalizada, e aí, pela primeira vez na tarde, o Alentejo viu o que eram Olhanenses realmente revoltados e "interessados" em agredir alguém. O limite para quem tinha ido apenas para fazer a festa tinha sido atingido. E não foi bonito de se ver. Felizmente nem há fotografias disso.

A partir daí a GNR quase que só pedia desculpas e para que, «por favor», arrancassem com o autocarro, "esquecendo" as agressões a senhoras e o péssimo comportamento de alguns dos seus agentes, entre os quais o dos óculos escuros, que entretanto "desapareceu", tal foi o número de queixas sobre a sua acção.

Como curiosidade final, para aquilatarmos a isenção dos agentes da GNR local, gostávamos de saber que fim teve o Alentejano vestido de camisola laranja, o qual os agentes tiveram de "prender" para que não fosse "apanhado" pelos adeptos Olhanenses após ter agredido uma senhora...
 

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