
José Cardoso, foi "forçado"
a recandidatar-se
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Tudo parece estar bem quando acaba bem, e melhor ainda quando
decidido em "família"...
E é o que parece ter acontecido na família rubro-negra, após esta muito concorrida Assembleia Geral Extraordinária
(AGE), que contou com a presença de mais de uma centena de associados,
os quais, durante cerca de
três horas, discutiram bastante sobre vários assuntos da vida do clube.
A Assembleia teve, como ponto de abertura, a leitura do parecer
jurídico do consócio Dr. Filipe Ramires, que comprovou o
que já se suspeitava: a polémica carta entregue na primeira data
marcada para esta AGE não só não podia ter qualquer seguimento
visto os prazos terem prescrito, como não devia ter motivado o adiamento
da Assembleia,
simplesmente por não constar na
ORDEM DE TRABALHOS.
Antes da discussão do ponto principal, houveram outros
assuntos em debate, nomeadamente sobre os
terrenos do outro Estádio, o Padinha (sobre o qual se ficou a
saber que existe vontade e proposta para colocação de relva
sintética), e o rumor relativo a um possível projecto que
"roubava" um pedaço à actual "casa" das camadas jovens
rubro-negras. Em relação a esse assunto as suspeitas de alguns
associados parecem não ter, por enquanto, qualquer fundamento.
Os sócios indagaram ainda sobre o estado do
processo do desmoronamento da sede, ao que José Cardoso não pôde
dar detalhes do estado actual do processo, dizendo apenas que o assunto está
entregue a um advogado.
Contudo, o grande ponto de interesse desta AGE era a
atribuição de poderes à Direcção (que, recorde-se, terminou o seu
mandato há dois meses e aguarda
acto eleitoral) para vender ou permutar parte dos terrenos do
Estádio José Arcanjo. A medida foi, efectivamente, aprovada, mas não sem que antes
muitos associados tivessem protestado, pedido explicações e os
mais diversos esclarecimentos sobre os pormenores da transacção.
José Cardoso só conseguiu o apoio da maioria dos
presentes quando se viu "forçado" a admitir a recandidatura ao
acto eleitoral que se avizinha (a ser marcado para daqui a dois
meses, aproximadamente, segundo o Presidente de Mesa da Assembleia).
Muitas dos opositores mudaram de opinião e acabaram por
aplaudir essa intenção. O próprio
Presidente da Mesa da AGE, o Engenheiro Francisco Leal, não
conseguiu esconder o seu regozijo pelo
facto, pedindo mesmo a José Cardoso para este repetir, e confirmar se tinha
ouvido bem, quando afirmou, mais uma vez, que se
candidataria «se não aparecer alguém de confiança». Um
cheirinho a dejás vu, misturado com tabu, que os
adeptos Olhanenses já haviam visto há cerca de dois anos, e que, já se
desconfiava, voltaria a acontecer.
Apesar de decidido "em família", todo o
processo foi o chamado "exemplo de como não se deve fazer". É
que, apesar de esta iniciativa ter sido desenvolvida pela Direcção presidida
por José
Cardoso (logo, sendo de inteira justiça que fosse essa mesma
direcção a concluir o negócio), para
todos os efeitos também existia (ou existe...) um vazio directivo. O
mandato acabou há dois meses, e nem José Cardoso nem qualquer
outra pessoa haviam manifestado vontade de concorrer ao
cargo, se exceptuarmos um "ameaço", não confirmado, do
vice-presidente do Beira Mar de Monte Gordo.
Ou seja, para todos os efeitos estava a ser aprovada uma
medida atribuindo poderes a uma Direcção sobre a qual ninguém fazia a mínima
ideia qual seria. Além de que, a Direcção (em gestão corrente)
não esclareceu minimamente os sócios sobre os contornos do
negócio. Mesmo que não se avizinhassem eleições, ou
mesmo que o mandato estivesse a meio, a Direcção é sempre obrigada a levar
mais dados informativos para uma AGE, principalmente
quando se trata de alienação de património do clube.
Não está em causa o negócio ser bom ou não (e, em tempos de
crise, este parece ser, realmente, um bom negócio), mas sim o Olhanense ainda ser um clube, e não uma SAD. Como tal,
os seus sócios ainda mandam nele, sejam dez ou dez mil, e tenha
a Direcção doze meses ou doze anos de mandatos nas suas "costas",
os associados é que mandam. Eles é que elegem a
Direcção, sendo esta a representante da sua vontades, e não o
contrário. O facto de não aparecer opositor ou alternativa não
pode legitimar qualquer tipo de atitude prepotente, tendo o
dever de informar os
sócios sobre todos os assuntos da vida do clube.
«Dizem que a cidade está divorciada do clube, mas
quando alguém quer saber alguma coisa, apontam-lhe dedos,
comos se fosse um inimigo», disse, e muito bem, um
dos sócios que estava bastante duvidoso em relação ao negócio
e que, ao saber da intenção de (re)candidatura de José Cardoso,
mudaria mesmo de opinião.
O ainda actual Presidente, se tem intenções de continuar à frente
do clube, e quem o acompanhar, terá de ver este tipo de
situações não como ingratidão, mas sim como um direito do
associado, tendo que lhe assegurar de que está a fazer o
que pensa estar bem, comprovando-o, e não esperar que o
associado parta desse princípio.
Ninguém tem o direito de duvidar da boa fé da Direcção, mas
esta tem de ter em conta quão desconfiado, já por natureza, é um natural da nossa cidade.
José
Cardoso não se pode dar ao luxo de um associado
lhe perguntar, várias vezes, numa AGE, se os terrenos tinham ou
não sido previamente avaliados e não clarificar, automaticamente, o
assunto. Temas, desta importância e envergadura, não
podem ser tratados com tanta leviandade. Se o Olhanense dispõe, por
exemplo, de um jornal (coisa que não muitos clubes neste país
se podem orgulhar), supostamente este deveria servir para
informar os sócios da vida do clube a tempo e horas, o que,
manifestamente, não acontece. Dispor de um meio de comunicação
e praticamente nada fazer com ele é o mesmo que não o ter...
Fica a "promessa" de venda dos terrenos por cerca de 200 mil
contos (60 mil dos quais pertencerão à Câmara Municipal para pagar
o loteamento do terreno) e do clube ter direito ainda a 10 apartamentos (sendo
seis T2 e quatro T3) dos 130 a construir,
assim como um rés-do-chão onde funcionará, eventualmente, a nova
sede. Com estas verbas (avaliadas, por alto, como uma entrada
algures entre o meio milhão de contos e o milhão de euros) a
Direcção conta colocar o passivo a zeros.
A ver vamos, visto que quem assina este texto é um rapazinho
que se recorda perfeitamente de assistir a uma AGE, também bastante concorrida, há
mais de uma dezena de anos atrás, onde se disse que o Bingo seria a salvação deste
clube...
Miguel Saial |