23 de Julho de 2003

A DERROCADA DA SEDE

Foto: José Carapucinha de Sousa
Foto: José Carapucinha de Sousa

A única boa notícia neste dia foi que não houveram vítimas, mas confirma-se assim um ano negro para o nosso Olhanense. Depois de uma época em que nos salvámos de uma humilhante descida de divisão nas últimas jornadas, o ruir da histórica sede (onde funcionava desde a década de 50) entristeceu todos os adeptos e simpatizantes rubro-negros. 

Perdeu-se uma parte da história do clube (nomeadamente a nível de documentos), mas ao contrário do que muita gente pensa, não se perderam todos os troféus, já que estes se encontram no Estádio José Arcanjo há já alguns anos, numa bonita sala que qualquer amante do desporto-rei terá prazer em visitar (para ler uma notícia esclarecedora sobre o assunto clique AQUI).

Nas linhas abaixo encontra-se uma recolha das notícias publicadas em órgãos de comunicação regionais e nacionais na altura do acontecimento. 

Páginas centrais do diário Record, 24/07/2002

páginas centrais de "Record"

in Mais Futebol
por Jorge Humberto, 23/07/2002 (11h06)

Julga-se que não existem pessoas entre os escombros 
Sede do Olhanense desmorona-se

A sede do Olhanense ruiu esta terça-feira. Ao lado do edifício estava uma casa em mau estado que foi desmoronada para dar lugar a um prédio novo, mas com as obras a sede do clube algarvio, que era uma construção antiga, acabou por cair.

A secretaria e o café, que existia por baixo, ficaram destruídos. Encontram-se bombeiros e ambulâncias no local. Julga-se que não haja pessoas entre os escombros.

in Mais Futebol
por Jorge Humberto, 23/07/2002 (21h02)

Confirma-se que não existia gente no edifício 
Derrocada da sede do Olhanense
provoca apenas feridos ligeiros


O desmoronamento da sede do Olhanense, esta terça-feira de manhã, não causou vítimas. As indicações de que não haveria pessoas entre os escombros do edifício, dadas logo depois do acidente, confirmaram-se em absoluto horas depois.

Além do natural prejuizo causado ao clube algarvio - que perdeu a sede, a redacção do jornal e um café que constituia importante fonte de receita - a derrocada acabou por causar apenas ferimentos ligeiros em operários de uma obra que decorre ao lado do edifício e por danificar três automóveis que se encontravam estacionados no local.

José Cardoso, presidente do Olhanense, estava no Norte do país na altura do acidente. O líder do clube manifestou-se surpreendido com a notícia, afirmando que «o edifício encontrava-se em boas condições».

«Provavelmente, as obras que estão a fazer ao lado da sede terão prejudicado as estruturas e provocado o desmoronamento», acrescentou José Cardoso. O Olhanense vai diligenciar no sentido de apurar responsabilidades pelo sucedido.

O edifício que hoje ruiu era alugado pelo clube. Desde há algum tempo decorriam negociações entre o Olhanense, a Câmara Municipal, um empreiteiro e o senhorio tendentes à venda da sede à autarquia. O Olhanense construiria nova sede noutro local e o bingo passaria a funcionar na casa que agora já não existe.

in Região Sul
por Fátima Silvestre, 23/07/2002 (23h37)

Sede do Olhanense sofre derrocada

Por "milagre" não houve vítimas pessoais
O prédio centenário que albergava a sede do Sporting Clube Olhanense ruiu pouco passava das 10:00 horas da manhã, a meio da Avenida da República, na cidade de Olhão. 

A derrocada foi quase completa, apenas sobrou a sede do jornal "O Olhanense". Não houve vítimas a lamentar, no entanto os danos são muitos: três carros soterrados, que se encontravam estacionados junto do edifício, o café que era explorado pelo clube e a sede, que continha todo o arquivo da colectividade. 

O relatório que está ser feito pelos técnicos da Câmara Municipal de Olhão e pelos responsáveis da obra ao lado deve apurar responsabilidades nesta derrocada - ou suas causas -, que para já são apontadas para a obra de construção ao lado, já que, o edifício agora em ruínas é centenário e os alicerces não suportaram as vibrações desta construção, de acordo com a maioria das testemunhas no local. O responsável pela obra ainda compareceu no local, mas depressa se ausentou, evitando os jornalistas presentes no local. 

Uma das testemunhas, Herculano Valente, que se encontrava na Redacção do jornal "O Olhanense", descreveu-nos que "estava a trabalhar no jornal, aqui mesmo ao lado, diante da máquina de escrever e o barulho foi tanto que parece que os dedos até me saltaram de momento. Quando tentei sair pela porta não o podia fazer porque parecia uma noite escuríssima. 

Este edifício deve remontar aos princípios do século passado e deve ter sido dos primeiros edifícios a serem erguidos aqui na Avenida da República e, como se vê, os alicerces eram de outra forma. E então, devido à obra ao lado, não teve forças para suportar a construção", pelo que, "já muita gente previa de pudesse acontecer uma desgraça destas. A sorte é que o café estava ainda fechado, costuma abrir por volta do meio dia". 

"este edifício não tinha alicerces suficientes para suportar a construção ao lado" 

Por sua vez, Leonel Batista, quando já estavam decorridas duas horas sobre o acontecimento, ainda tremia. Estava a fazer um orçamento a pedido do Olhanense, havia saído por uns instantes, para fazer umas compras e, ao chegar colocou a chave na fechadura da sede. Depois de ter subido as escadas e se encontrar no 1º andar, sentiu terra a cair. Ouviu um estrondo e tentou descer, mas ficou encostado à escada e fala de "um milagre", pelo facto da parte onde estava não ter ido abaixo e não ter conseguido sair, porque na rua também lhe cairia o edifício em cima. "Deixei de ver. O pó era imenso... isto parecia um terramoto, mas pensei logo no edifício, porque às vezes vinha aqui em serviço e estava aqui sentado e via areia a cair. Diziam-me sempre que não havia perigo. Na minha opinião este edifício não tinha alicerces suficientes para suportar a construção ao lado". 

"vamos ter que tratar de sair desta parte do edifício o mais rápido possível, não vá também cair" 

O Olhanense encontra-se agora a fazer contas à vida não só por ter perdido o seu vasto património histórico, como também pelo café soterrado. Isidoro Sousa, chefe do departamento de futebol, refere que "neste momento estamos na expectativa. Não foi com grande surpresa para nós que isto aconteceu, dado que há uma obra ao lado e que corríamos algum risco. Vamos ver. Apurar responsabilidades, para depois começarmos a dar os primeiros passos. Este edifício é alugado a um senhorio que reside em Lisboa e não sei se existe algum seguro". 

Quanto às percas o responsável pelo Olhanense alega que "há arquivos do clube, que estavam inseridos neste primeiro andar... há aqui prejuízos incalculáveis na medida em que há documentos que têm valores incalculáveis e, inclusivamente, toda a parte do café/restaurante. Só os peritos é que poderão avaliar o montante dos estragos", o que será avaliado nos próximos dias, referiu Isidoro Sousa. O clube vai agora funcionar "no estádio José Arcanjo. Temos lá o departamento de futebol, a sala de troféus e algum material de apoio, se bem que, o arquivo e os serviços administrativos estavam sediados aqui. Felizmente que a parte do jornal ficou intacta, mas vamos ter que tratar de sair desta parte do edifício o mais rápido possível, não vá também cair." 

"Não posso dizer se a causa é a obra ao lado, ou não" 

A Câmara Municipal de Olhão, quer apurar as responsabilidades, está a ser feito um relatório que deverá ter ficado concluído no final do dia. O presidente da Câmara, Francisco Leal, esteve toda a manhã no local a seguir a evolução dos acontecimentos. Não quer, para já, apontar culpas. No entanto não deixa de mostrar-se resinado: "acontecem estas coisas em todas as cidades, há prédios velhos que caem por causas diversas. Neste caso, ainda não temos apurada a causa da derrocada, mas com certeza que os nossos técnicos, até ao fim do dia de hoje, vão dizer o que é que se passou. Não faço ideia neste momento ao prejuízo causado pelo desmoronamento da sede e o facto de não ter havido danos pessoais já é um bom indicador. Os técnicos das obras assinam um termo de responsabilidade em que têm que tomar todas as precauções no sentido de não haver problemas e têm que assumir a responsabilidade quando os há. Não posso dizer se a causa é a obra ao lado, ou não" concluiu o presidente da autarquia olhanense. 

in Sic Online
23/07/2002 (12h09)

Derrocada em Olhão
Sede do Olhanense destruída


Parte da sede do Sporting Clube de Olhanense ruiu esta manhã por volta das 10h00. Não há registo de vítimas desta derrocada. Desconhecem-se os motivos que levaram à queda do edifício centenário. Pensa-se, no entanto, que as causas podem estar ligadas à construção, mesmo ao lado, de um prédio de três andares. 

"Se fosse a outra hora teria sido uma tragédia", referiu à Lusa um funcionário do clube. No prédio, situado na Avenida da República, funciona o café do Olhanense que na altura estava encerrado. 

Os destroços da parte do edifício que ruiu danificaram algumas viaturas que estavam estacionadas próximo do local. Um automóvel ficou, inclusive, completamente soterrado. Os escombros estão neste momento a ser removidos pelos bombeiros.

in Sic Online 
por Marisa Caetano Antunes,
29/07/2002 (18h40)

Queda do edifício ficou a 
dever-se a obras no edifício ao lado

O relatório técnico do inquérito à derrocada, dia 23 de Julho, de parte da sede do Sporting Clube Olhanense revela que as obras num prédio ao lado estiveram na origem da queda do edifício centenário. O relatório chama ainda a atenção para a necessidade da demolição, com urgência, do que resta da sede de um clube que já viveu tempos de glória na primeira divisão do futebol português. 


O acidente aconteceu no passado dia 23 de Julho, pelas 10h00, quando parte da sede do Olhanense, que albergava também um café, ruiu, na Avenida da República, sem provocar vítimas. 

Os escombros do edifício danificaram, porém, algumas viaturas estacionadas na zona e agora que são conhecidos os primeiros resultados do inquérito (pedido pela autarquia local)- que atribuem a causa da derrocada à construção de um prédio contíguo a Norte - o presidente da Câmara de Olhão assegura que irá pedir responsabilidades aos proprietários da obra. 

Em declarações à agência Lusa, o autarca de Olhão, Francisco Leal, diz que o município vai dialogar com os vários intervenientes para decidir as indemnizações a atribuir aos lesados com a queda do edifício e acrescenta que a empresa construtora da obra tem todos os seguros obrigatórios. 

O relatório técnico ao acidente chama ainda a atenção, afirma Francisco Leal, para a necessidade de demolir - com urgência - o que resta da sede do Sporting Clube Olhanense. 

"Temos que evitar novo acidente e, por outro lado, que restabelecer a circulação normal na Avenida da República", disse o autarca de Olhão sublinhando que a demolição será feita nos próximos dias. 

Na altura da derrocada, o café do clube estava encerrado e a população local é unânime em afirmar, que, caso o acidente tivesse ocorrido a outra hora do dia, "teria havido uma tragédia". 

Actualmente o Olhanense, fundado em 1912, faz parte da Segunda Divisão B, mas já foi uma referência do futebol português, nomeadamente na época de 1923/24 - quando conquistou o título de Campeão de Portugal ao vencer, no último jogo, o Futebol Clube do Porto por 4 a 2.

in Correio da Manhã, 
por Madalena Bentes, 23/07/2002 (22h43)

FOTO: Correio da Manhã
 
Olhanense perde sede
Três minutos bastaram para que a sede do Sporting Clube Olhanense (SCO) se transformasse num monte de escombros. A derrocada, que há muito a direcção e os sócios receavam, acabou por acontecer ontem, cerca das 10h00, quando o edifício centenário, localizado na Avenida da República, cedeu ao tempo e a outras eventuais causas, ainda por determinar. Três veículos ficaram destruídos, soterados sob os escombros.

Só por milagre, afirma quem assistiu, o desabamento parcial do edifício não provocou vítimas, já que na altura encontrava-se no seu interior um funcionário do clube. Apenas três operários da construção civil que trabalhavam próximo do local, sofreram ligeiras escoriações, quando fugiram à queda dos escombros, saltando sobre os tapumes da obra. 

É aliás à obra de construção de um novo edifício de habitação com quatro andares, junto à sede do SCO, que são apontadas as eventuais causas do aluimento, pois poderá ter provocado a trepidação das estruturas de madeira que suportavam o prédio, já em avançado estado de degradação. Por enquanto, tanto a direcção do SCO, como o presidente da Câmara Municipal de Olhão preferem aguardar pelos resultados do inquérito encetado logo após a derrocada, com vista ao apuramento do sucedido e avaliação da parte do edifício que resistiu, já que ameaça ruir a qualquer momento.

Segundo Francisco Leal, a obra em causa está devidamente licenciada pelos serviços camarários, pelo que só as peritagens efectuadas pela autarquia e pela empresa Construções Perange, Ldª, responsável pelos trabalhos de construção civil, poderá determinar a imputação de responsabilidades. 

Presente no local, o subempreiteiro responsável pelos trabalhos de cofragem e ferro na obra, Irménio Marques, disse ao nosso jornal que a obra decorria dentro da legalidade e o facto da sede do Olhanense ter começado a ruir a partir do piso superior poderá indicar que não foram as obras a provocar a eventual oscilação do terreno. 

Ainda de acordo com o autarca Francisco Leal, caso a vistoria feita ontem ao local revele risco para a segurança pública, o resto do edifício, onde funciona a Redacção de ‘O Olhanense’, será integralmente demolida.

“Perda irreparável”
Nas instalações do jornal do clube encontrava-se, no momento da derrocada, Herculano Valente, de 66 anos: "Estava a escrever quando ouvi um estrondo e percebi logo o que estava a acontecer. Já esperava por isto, pois o edifício estava muito debilitado e era óbvio que não suportaria o impacto das obras ", revelou o redactor, combalido com a "perda irreparável" para sócios e adeptos do clube. 

Segundo se apurou, há vários anos que a direcção do clube algarvio procurava novas instalações, nomeadamente através de uma eventual permuta junto dos empresários da construção civil. 

Por apurar estão também os prejuízos causados pelo desabamento do edifício, que poderão ascender aos muitos milhares de euros, tendo em conta que no local funcionava, para além dos serviços administrativos e arquivo do clube, um café-restaurante. 

O facto do estabelecimento estar encerrado àquela hora evitou uma eventual tragédia. Para além dos equipamentos soterrados, a derrocada do prédio destruiu ainda três viaturas ligeiras que se encontravam estacionadas na zona, isolada durante várias horas para a remoção dos escombros. 

in Record, 29/07/2002 (18h40)

Solidariedade com Olhanense 
Equipa oferecida para jogo após queda da sede
O Portimonense vai deslocar-se a Olhão a 7 de Setembro, a fim de ali disputar um jogo particular de solidariedade. Os barlaventinos ofereceram a sua equipa após a queda da sede do Olhanense e a partida selará a aproximação entre os dois clubes, cujas relações, ao longo dos últimos anos, foram marcadas por algumas divergências.

O jogo terá lugar às 17.30 (hora ainda pendente de confirmação), no Estádio José Arcanjo, que hoje e amanhã, a partir das 19 horas, será palco de treinos de captação do Olhanense nas categorias de juvenis e juniores.

Ainda esta semana começará a treinar-se em Olhão o médio cabo-verdiano Emerson, ligado ao Portimonense mas “tapado” devido ao excesso de estrangeiros. Tudo indica que o jogador actuará esta época no Olhanense, por empréstimo.
(...)

SCO

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