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COMENTÁRIO:
No início, ou até mesmo durante quase todo
o primeiro tempo, este embate entre duas equipas
que chegaram a almejar a lugares cimeiros no início
da temporada, parecia que iria ser (mais) um daqueles
jogos de final de temporada, para "cumprir
calendário", como se costuma dizer. Nada
mais errado, pois na etapa complementar o Olhanense
até poderia ter construído um resultado tão ou
mais volumoso como a goleada obtida em 1999/2000
(sete bolas a zero) sobre este mesmo adversário,
quando o treinador rubro-negro era o farense Manuel
Balela (curiosamente presente no José Arcanjo
para ver esta partida...).
Os primeiros quarenta e cinco minutos decorreram
com ligeiro ascendente da parte rubro-negra, sempre
mais atacante, que chegaria ao golo à passagem
do primeiro quarto de hora. Foi na sequência de
um livre marcado por Óscar, descaído sobre o lado
esquerdo do ataque, junto à linha de área: a bola
é chutada em direcção à baliza contrária e Carlos
Alberto cabeceia "de raspão", em frente
ao guardião Humberto, enganando-o. No Estádio
muita gente ficou com dúvidas se o golo pertenceria
a Óscar ou a Carlos Alberto, mas os festejos tudo
indicaram que o autor foi mesmo o "trinco"
e as fichas de jogo nos jornais também dão o golo
ao número vinte seis rubro-negro.
O Amora continuou a contra-atacar, e as suas maiores
jogadas de perigo foram, na maior parte das vezes,
não por ataque continuado ou bem conseguido, mas
por inépcia da defensiva Olhanense, sempre muito
lenta a tirar a bola do seu última reduto. Isto
originou dificuldades para a baliza defendida
por Bruno Veríssimo, e foi mesmo numa jogada desse
tipo que José Maria cometeu grande penalidade,
em boa hora defendida por Bruno Veríssimo, sempre
muito sóbrio entre os postes.
Perto do intervalo um jogador forasteiro, Torres,
entra com agressividade excessiva sobre Fábio
Felício, e é expulso pelo árbitro (após este se
informar com o seu auxiliar mais próximo da jogada),
até aí, e durante quase toda a partida, algo incoerente
na acção disciplinar.
Mesmo reduzida a dez unidades a equipa do Amora
chegaria ao empate, logo
após o reinício da partida, num golo de livre
directo à entrada da área. Foi talvez o que faltava
para "espicaçar" a adormecida equipa
rubro-negra, que partiria para uma agradável exibição,
a nível atacante.
O golo da vantagem foi marcado apenas três minutos
depois do golo do empate, da autoria do jovem
extremo Livramento, num bom remate aproveitando
um ressalto, em jogada conduzida por Carlos Alberto.
Pouco depois surgiria o terceiro golo, que foi
um regalo para os apreciadores de bom futebol:
Fábio livra-se de um adversário junto à bandeirola
de canto no lado direito do ataque, seguindo com
o esférico controlado junto à linha de fundo.
De seguida simula o cruzamento, mas não o faz,
e, driblando todo os adversários que lhe surgiram
pela frente, conduz a bola até ao coração da área
até achar a posição desejada para fuzilar o guarda-redes.
Um golo de levantar qualquer estádio.
A partir daí segui-se um manancial de oportunidades
desperdiçadas, Paulo Sérgio estava em dia "não"
no que se refere a finalização, mas o mesmo não
se aplicaria a Rui Romicha, que entrou para substituir
Óscar, e marcou os dois golos que fechariam a
contagem. O primeiro, finalizando quase isolado
uma jogada de contra-ataque conduzida por Alberto
(que entrou tarde mas bem, executando rápido),
que Romicha comemorou afastando os seus companheiros,
fazendo questão de demonstrar que estava a dedicar
a alguém em especial na bancada. O segundo, já
em período de compensação, num potente remate
de fora da área, "de raiva", seguindo-se
uma cópia da celebração do golo anterior.
A arbitragem esteve algo incoerente na punição
disciplinar, como já havíamos referido, mas tecnicamente
aceitável.
Texto e Fotos: Miguel Saial
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