30ª JORNADA

2ª DIVISÃO B - ZONA SUL - 2002/03

OLHANENSE, 1 - LUSITÂNIA, 0

06 de Abril de 2003
Estádio José Arcanjo, em Olhão
Árbitro: Carlos Amado (AF Leiria)
OLHANENSE: Bruno Veríssimo; Emerson (Afonseca, 75'), Mário Artur, Xavier e Branquinho; Carlos Alberto e Rui Andrade; Livramento (Romicha, 64'), Óscar (Alberto, 57') e Fábio Felício; Paulo Sérgio;
Treinador: Rui Gorriz
Suplentes Não Ûtilizados: Ivo (g.r.), Eufigénia e Zé Maria
Amarelos: Emerson (69') e Rui Andrade (75' e 77')
Vermelhos: Rui Andrade (por acumulação) e Carlos Alberto (90')
LUSITÂNIA: Cláudio; Nuno Lima (Brito, 65'), Nélson, Rui Manuel e Rui Gil (Ruben I, 74'); Cunha, Alex (Pedro Santos, 65'), Pablo e Hélder; Milton e Márcio;
Treinador: Vítor Urbano
Amarelos: Rui Manuel (18'), Cunha (23' e 80'), Nuno Lima (29') e Ruben I (77'). 
Vermelhos: Cunha (por acumulação) e Nélson (61')
GOLO:
1-0 por Xavier (19')
COMENTÁRIO:
Por Miguel Saial

Por ironia do destino, este foi o jogo em que Vítor Urbano se estreou no comando do Lusitânia, exactamente no Estádio que na época passada, sensivelmente nesta altura, o acolhia para comandar aquela a que muitos apelidaram de "missão impossível".

Urbano enfrentou um Olhanense com o mesmo esquema com que habitualmente alinhava no seu tempo (4-2-3-1), onde as únicas alterações são as entradas de Livramento e Óscar, curiosamente jogadores que ainda estão a adquirir a "rodagem" para um bom entrosamento na equipa. Os rubro-negros, apesar de não terem realizado uma exibição brilhante, dominaram praticamente toda a primeira parte (onde Bruno Veríssimo foi um autêntico espectador) e chegaram com naturalidade ao golo, por intermédio do central Xavier, que marcou pela quarta vez esta época. Curiosamente, todos os seus golos foram na sequência de pontapés de canto, sendo este o primeiro com o pé, os restantes foram todos de cabeça (o que facilmente se compreende dada a elevada estatura deste atleta).

Na segunda parte o Olhanense "descansou" um bocado, e apesar de não ter perdido as rédeas da partida, poderia ter sofrido o golo do empate num ou noutro contra-ataque ou remate de longe açoriano. A partida, quase sonolenta na primeira metade, não fosse uma ou outra entrada mais agressiva dos forasteiros, acabaria mesmo quase em "pancadaria", muito por culpa do juiz da partida, que ao errar na marcação de várias faltas enervou alguns jogadores.

A primeira expulsão, aos 61 minutos, foi para um defesa açoriano, que agrediu Paulo Sérgio. Dezasseis minutos depois Rui Andrade viu o segundo amarelo, ao reclamar de uma falta, voltando o jogo à igualdade numérica. Foi sol de pouca dura, pois o centrocampista forasteiro Cunha seria expulso, por acumulação, devido a (mais) uma entrada perigosa.

Já no período de descontos, um dos árbitros auxiliares indicou a expulsão de Carlos Alberto, facto que enfureceu o atleta olhanense, tendo este pedido "explicações" de forma algo exacerbada. Só seria acalmado por colegas de equipa e, destaque-se, Vítor Urbano. Pouco depois a partida terminava e o trio de arbitragem saía sob monumental assobiadela.

Refiram-se as reacções de tom repartido, por parte público olhanense para com Vítor Urbano. Goste-se ou não do técnico que nos garantiu a manutenção em 2001/2002, há que reconhecer e garantir o seu lugar na História do Olhanense. Mesmo que na presente temporada tenham havido ou não desentendimentos com jogadores e/ou dirigentes (conforme se comentou mas nunca foi confirmado por completo), ou se as suas opções técnicas ou tácticas foram mais ou mais menos contestadas a dada altura (inclusive pelo autor destas linhas), isso já não interessa. É passado, e depois do "divórcio" consumado, os adeptos deveriam estar, no mínimo, agradecidos por um técnico com o seu prestígio ter aceitado tão arriscado desafio na altura em que aceitou. O Olhanense estava praticamente condenado, e não podemos esquecer que Vítor Urbano era, nessa altura, um nome habitual em equipas de I e II Liga, que só havia "baixado" de escalão para tentar a subida com o União da Madeira.

Obviamente que uma outra reacção negativa de algum adepto neste jogo frente ao Lusitânia não fica para a História. O que fica para a História é que este foi o técnico que evitou uma humilhante descida a um terceiro escalão (que é, na verdade, mais um quarto do que um terceiro...) e se se duvida do seu mérito, bastará relembrar que o decisivo goleador Paulo Sérgio chegou pela sua "mão", como o próprio reconheceu em ENTREVISTA ao nosso site. Ninguém é perfeito, e custa-nos que alguém que aceitou representar o nosso clube numa hora tão difícil possa agora confundir alguns "mal-agradecidos" representem toda, ou mesmo a maioria, massa adepta rubro-negra.
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