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OLHANENSE: Bruno Veríssimo; Paulo Renato, Xavier, Mário
Artur, Lameirão e Eufigénia; Carlos Alberto (Emerson, 82'), Ricardo Jorge e Rui Andrade;
Romicha (Nelson Afonseca, aos 73') e Paulo Sérgio (Adilson, aos 73');
Treinador: V. Urbano
Suplentes Não Utilizados: Ivo (g.r.), Nuno Sousa, Duarte e Amaral |
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COMENTÁRIO:
Eis um jogo que decerto ficará na memória dos olhanenses que se deslocaram à
Amoreira. A equipa de Vítor Urbano, sem ter feito especialmente por isso, poderia muito
bem ter saído com uma vitória confortável, mas desaproveitou a oportunidade. Também,
há que dizê-lo, muito por culpa do Estoril que, especialmente na segunda parte, nunca
baixou os braços, "massacrando" a defesa rubro-negra.
Na visita ao terreno de um dos mais sérios candidatos à subida (relembremos que além da
bem apetrechada equipa em campo, os homens fortes dos "canarinhos" são Manuel
Damásio e José Veiga...), Vítor Urbano armou uma equipa diferente do habitual, nem o
habitual 4-3-3, nem o 4-4-2 dos dois últimos jogos, mas sim um 5-3-2, com três centrais
de raiz.
Durante a primeira parte, efectivamente, a estratégia resultou. O Estoril assumiu o
comando do jogo, mas nunca causou perigo de maior e no contra-ataque os
"rubros-negros" pareciam estar sempre à espreita, principalmente através da
velocidade de Rui Romicha. Foi ele a inaugurar o marcador, concretizando quase sobre a
linha de golo uma recarga a um bom remate de Carlos Alberto sobre a direita, ainda não
estavam decorridos vinte minutos de jogo. Cerca de dez minutos volvidos, o ex-Operário
fez o segundo golo, com um excelente remate de fora da área, após boa jogada individual.
Sem fazer quase nada por isso, o Olhanense via-se com uma confortável vantagem no
marcador. Até aí o Estoril pouco havia feito, apesar de lhe ter pertencido sempre o
domínio do jogo, mas até ao final da segunda parte ainda dispôs de algumas
oportunidades, valendo um punhado de boas intervenções de Bruno Veríssimo.
Após o intervalo tudo mudaria. O Estoril deu tudo por tudo, e Vítor Urbano demoraria a
mexer na equipa. Apesar disso, parecia que a sorte e Bruno Veríssimo protegeriam a baliza
olhanense, mas não logo no início os homens da casa conseguiram reduzir a vantagem, num
lance em que defesa rubro-negra foi demasiado permissiva.
Quase de seguida, o Olhanense voltou a ter a sorte do jogo do seu lado, mas
desperdiçou-a. O árbitro teve a coragem de marcar uma falta dentro da área dos da casa,
uma carga sobre Carlos Alberto que a maioria dos comentadores desportivos da nossa praça
considerariam insuficiente para castigo máximo, mas efectivamente uma falta... é uma
falta, e o penalty foi (bem) assinalado. Paulo Sérgio é que não conseguiu
concretizar, rematando forte, mas por alto. O
experiente avançado até aí não estava a efectuar um má partida, mas após esse lance
pareceu ressentir-se animicamente.
O não concretizar desta oportunidade que poderia ter "matado" o jogo (algo
injustamente para os locais, há que dizê-lo), levou a uma reacção ainda mais enérgica
da equipa da casa, e seria na única falha (uma hesitação ao sair de entre os postes) de
um jogo quase perfeito de Bruno Veríssimo , que os estorilistas chegariam ao
empate.
A estratégia que Vítor Urbano havia montado para a primeira parte foi interpretada na
perfeição pelos jogadores, mas na Segunda parte o técnico demorou demasiado tempo a
mexer na equipa, que com a entrada de cada vez mais atacantes adversários parecia cada
vez mais perdida. Os três centrais pareciam confundir-se uns aos outros e os laterais
ressentiam-se da ausência de médios-ala, visto que normalmente têm à sua frente
Branquinho e Romicha (dois trabalhadores incansáveis), mas com a ausência do esquerdino
e com Romicha como segundo ponta-de-lança, Paulo Renato e Eufigénia não conseguiam
chegar para as encomendas, até porque os três centrocampistas (Rui Andrade, Ricardo
Jorge e Carlos Alberto) eram todos médios-centro e apesar de terem estado em plano
razoável, falharam na cobertura ás laterais.
Após o golo do empate, Vítor Urbano fez duas substituições, mas não mudou a equipa,
trocando apenas os avançados: o apagado Paulo Sérgio e o esgotado Romicha por Afonseca e
Adilson. Nada mudou, e o Estoril seguiu carregando, e novamente numa falha defensiva, o
angolano Quinzinho aproveitou para colocar a sua equipa pela primeira vez em vantagem. Era
o desespero entre os olhanenses e o delírio do público da casa (em bom número e
bastante apoiante).
Após a viragem do resultado o ex-portimonense Emerson ainda se estreou ao substituir
Carlos Alberto, e quando tudo parecia perdido, a sorte voltou a estar do lado do
Olhanense: Rui Andrade arrancou um bom remate de fora da área, que embateu na defensiva
estorilista e fez o esférico sobrar para Adilson, que sem a deixar cair, de pronto
rematou à meia-volta, fazendo um "golaço" que levaria ao rubro os adeptos
olhanenses presentes no António Coimbra da Mota. Do mal o menos, o Olhanense apesar de
não ter "merecido" (se é que existe tal coisa no futebol...), conseguiu um
empate que só não é mais saboroso porque efectivamente tivemos o pássaro na mão... |