NOME

Francisco Viegas MATIAS

NATURALIDADE

Fuzeta

DATA DE NASCIMENTO
1941?

POSIÇÃO

Extremo Direito

CLUBES COMO JOGADOR

(...)
SL Fuzeta? (58/59)
Olhanense (59/60) 1 ou 2-0?
Olhanense (60/61) 24-9
Olhanense (61/62) 19-2
Olhanense (62/63) 26-2
Olhanense (63/64) 21-1
Olhanense (64/65) ?-3
Olhanense (65/66) ?-2
ASA ou Benfica? - Angola (66/67)
Olhanense (67/68)
* - a partir de Fevereiro
Olhanense (68/69)
Olhanense (69/70)
Olhanense (70/71) ?-2
Olhanense? (71/72)
Lillestrom - Noruega (71)
(...)

CLUBES COMO TREINADOR

(...)
Lillestrom - Noruega (1989)
(...)
SL Fuzeta (79/80)
* - juvenis
(...)
 
 
Entrevista ao Jornal "A Bola" (04/06/2011)

 
 
Entrevista ao Jornal "Brisas do Sul"
(Dezembro de 2008)
 
È natural da Fuzeta. Passou uns tempos na Noruega e voltou à sua Fuzeta. Nos anos 60/70, jogou futebol na primeira categoria do OLHANENSE. Foi um bom jogador de futebol nos anos 60 e jogava na ponta direita. Recebia a bola encostado à linha e, se o defesa deixava que ele a dominasse estava perdido. Passava o defesa por dentro ou por fora conforme a disposição de momento. Era rápido. Estou a vê-lo baixote, bola dominada e parada ‘a frente das botas, a pensar. Depois, simulava e passava pelo adversário com a bola dominada, chegava ‘a linha de cabeceira e centrava sempre bem, para o avançado marcar golo.

No seu tempo, foi considerado pelo jornal “ABOLA” como o terceiro dos cinco melhores melhor extremos direito a jogar em Portugal, que eram 1º) o CARLOS DUARTE do FCPorto, um jogador de muito talento que jogava ao lado do Hernâni, 2º JOSÉ AUGUSTO do SLBenfica internacional e campeão europeu com o Eusébio, 3º o MATIAS que jogava com o CAMPOS, GANCHO, CAVA E PARRA. e nosso entrevistado, 4º o CRISPIM, que foi internacional júnior do Sporting do tempo do PEDRAS, JORGE, MOREIRA E SERAFIM e que jogou depois na Académica e por fim, o 5º o DIMAS, do Belenenses que foi internacional contra a Inglaterra quando ganhámos por 3 a 1 e a linha avançada era constituída por DIMAS, MATATEU, ÁGUAS, TRAVASSOS E ZÉ PEDRO...

Jogou ainda na selecção de Angola contra a selecção de Moçambique e na selecção de Luanda contra a selecção da Rodésia, tendo sido treinado por Fernando Peyroteo.
É este cavalheiro que está na nossa frente e a quem vamos fazer a entrevista. Aí vai a primeira pergunta.

BRISAS DO SUL (BS) - Ainda tens pais? És Pai? Édifícil ser Pai? O que é que dizes aos teus filhos? E o que é que o teu pai te dizia a ti?
FRANCISCO MATIAS (FM) – Não, já não tenho Pai. Perder um Pai é, talvez, perder um pouco de nós também. Eu tinha uma boa relação com o meu Pai, que não perdia um jogo meu e era um grande amigo e o meu maior admirador. A mim, tal como a toda a gente, perdi uma pessoa que eu não queria perder por nada deste mundo. Mas não está na nossa mão. Chegou a hora dele...e... Sim, sou pai de dois rapazes, um falecido e outro que trabalha na Noruega. Eu acho que é difícil, ser Pai, nos dias de hoje. Há muita oferta de coisa ruim para a juventude. O que digo aos meus filhos é que tentem ser eles próprios os seus melhores amigos. O meu Pai só me dizia; toma cuidado contigo meu filho. E não precisava dizer mais nada. A gente entendia a mensagem dos pais. E estamos por aí. Ainda.

BS - Como foi a tua juventude aqui na Fuzeta? Tens amor à tua terra? Já foste à pesca?
FM – A minha juventude aqui na Fuzeta foi igual ao da miudagem no meio marítimo. Andamos na escola primária, jogamos ‘a bola, fazíamos recados às nossas mães era isto.

BS - Um lugar que tu gostes muito da Fuzeta e porquê.
FM - Não há lugares especiais aqui. Há a Fuzeta apenas e eu gosto da Fuzeta. Não se esqueça que eu tenho vivido sempre aqui. E depois a riqueza de uma terra são as pessoas. E há aqui boa gente.

BS- Como atleta qual foi a melhor alegria?
FM- Foi num jogo com o Benfica que empatamos por 1 a 1, com o Zé Augusto, o Eusébio, o Coluna ... e os outros craques todos. Fizemos um grande jogo. O Reina bateu-se taco a taco com o Eusébio, perdeu e ganhou lances, eu não dei chance nenhuma ao Cruz, o Madeirinha andava perto do Santana e empatamos o jogo. Naqueles jogos, a gente dá tudo, somos jovens sabe, se aquilo correr bem os jornais trazem aquelas coisas bonitas que a gente fez durante o jogo e a gente quase endoidece. Às vezes quando nos encontramos ainda falamos disso.

BS - A melhor exibição?
FM - Foi nesse jogo com o Benfica, talvez o meu melhor jogo. O Treinador disse-me para tentar chegar à linha e centrar, que só queria isso. Ora o que o Mister se esqueceu de dizer, é que era preciso passar o Cruz e ele estava lá e era um osso duro de roer. Mas correu tudo bem.


BS - O melhor treinador?
FM - Artur Quaresma foi interior esquerdo do Belenenses e foi antes de mais um grande jogador de futebol, o que nem sempre garante ser - se um bom treinador. O treinador é o responsável pela produção da equipa, o responsável pelo comportamento dos jogadores dentro e fora do campo, o treinador é o confidente é tudo o que se possa imaginar porque só assim poderá tirara o máximo rendimento do futebolista. Gostei de trabalhar com Artur Quaresma.

BS - Tamanqueiro foi melhor que o Reina e Grazina melhor que Luciano

FM - Nunca vi jogar quer Tamanqueiro quer Grazina. Mas eles não foram melhores que o Reina e o Luciano. Faziam uma dupla temível, não passava nada. Reina não era em nada inferior ao Vicente do Belenenses que secava o PELÉ. O Luciano era um jovem ainda mas tinha a sabedoria do Germano do Benfica, que jogou duas finais europeias com pouca força física já, mas com muita experiência, pois tacticamente era um jogador perfeito, sabia onde é que a bola ia cair.

BS- Do ponto de vista internacional, quais os melhores?

FM - O melhor de todos, para mim, foi Sir Stanley Mathews, um atleta com uma corrida espantosa e um poder de finta espantoso. Jogou até aos quarenta anos. Depois o LATO da selecção Polaca, impressionante, fazia o corredor todo, depois o grande Georg Best do Manchester United, depois o Garrincha e outros.

BS - O que é que falta dizer?
FM - Falta-me dizer muito obrigado por se ter lembrado de mim.
Para terminar a nossa breve conversa Francisco Matias tem levado efeito já alguns anos (às quintas feiras) no Café “Pirrot” na Fuzeta, o seu especial almoço com antigos companheiros e amigos do futebol olhanense.
Neste encontro à volta da mesa todos recordam com imensa saudade as suas jogadas de futebol e os jogadores que praticavam na época.



Treinador dos juvenis do Fuzeta, em 1979/80, Matias é o segundo em cima, a contar da direita.

 

 

 

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