Daniel

NOME

FÁBIO Ricardo dos SANTOS
NATURALIDADE
Novo Hamburgo - RS (Brasil)

DATA DE NASCIMENTO

31/05/1980

POSIÇÃO

Avançado

CLUBES

Novo Hamburgo - RS - Brasil
(1996 e 1997)
Glória Vacaria - RS - Brasil (1998)
Novo Hamburgo - RS - Brasil (1999)
Guarany da Cruz Alta - SP - Brasil
(2000 a 2001)
Imortal de Albufeira (01/02)
* - até Dezembro
Olhanense (01/02) 13-0
* - a partir de Dezembro
Mirandela (02/03)
Farense (03/04) 6-0
* - até Dezembro
Imortal de Albufeira (03/04)
* - a partir de Janeiro
Mirandela (04/05)
* - até Janeiro
Gremio Esportivo de São José
RS - Brasil
* - a partir de Fevereiro 2005
Associação Atlética Rioverdense
GO - Brasil (2006) * - até Janeiro
Torreense (05/06) 15-2
* - a partir de Fevereiro
Anadia (06/07) 24-18
Anadia (07/08) 20-6
* - até Janeiro
Anhui Jiufang - China (2008)
Ypiranga FC de Erechin
RS - Brasil (2009)
Anadia (09/10) 11-3
* - até Janeiro
Machine Sazi Tabriz - Irão (2010)
Petrochimi Tabriz - Irão (2010)
Riograndense - RS - Brasil (2011)
Fluminense de Feira - BA (2012)
Canoas - RS - Brasil (2013) 7-1
Anadia (13/14) 13-1
Anadia (14/15) 4-0
* - até Dezembro
Águeda (14/15) 10-2
* - a partir de Janeiro

Oliv. Bairro (15/16) 8-2
 

 

Daniel
 
Imagens das duas aventuras
mais "longínquas" de Fábio:
em cima na China e em baixo no Irão
 
Fabio Santos
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fabio Santos
 
Fábio pratica também futebol
de praia, tendo jogado na selecção
gaúcha, região da qual é natural
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fabio Santos
 
No Anadia Fábio passou a sua
melhor fase no nosso país,
em termos de golos marcados
 
 
 
  Atacante brasileiro que chegou a Portugal na época 2001/02 para o nosso vizinho Imortal de Albufeira, então a apostar forte para regressar à Divisão de Honra, mas que em Dezembro foi cedido ao nosso clube, numa altura em que Pitico passou a ser o treinador rubro-negro (ele que, curiosamente, trouxe Fábio para o nosso país, enquanto secretário-técnico do Imortal).

Fábio estreou-se na 17.ª jornada, no recinto do Olivais e Moscavide e jogou algumas vezes como extremo-direito na equipa principal, mas, também devido a uma lesão, não conseguiu garantir a titularidade (Vitor Urbano, o técnico seguinte, trouxe um jogador mais experiente para a sua posição, Joni), mas Fábio ainda jogaria mais algumas vezes como suplente utilizado.

Continuou a sua carreira em clubes da zona norte e centro do nosso país (actuando na sua posição original, ponta-de-lança, marcando muitos golos principalmente ao serviço do Anadia), alternadas com regressos ao Brasil e passagens pelo futebol chinês e iraniano.

Na imagem em baixo Fábio festeja a manutenção no último jogo da época (frente ao Operário dos Açores), com os colegas de equipa, Paulo Renato, Branquinho, Lameirão, Ivo, o próprio Fábio (com uma t-shirt onde se podia ler "Obrigado Jesus"), o dirigente Júlio Favinha e Mário Artur. Mais abaixo está uma entrevista que concedeu ao nosso site em Dezembro de 2010.

Daniel

Recorda-se como veio parar a Portugal, mais concretamente ao Algarve? Veio para o Imortal, numa altura em que o clube de Albufeira tinha ambição de chegar a patamares superiores, e tinha acabado de passar pela Liga de Honra.
Cheguei a portugal atraves do Pitico (ex-jogador do Farense e Olhanense, que começou a carreira de técnico no nosso clube e foi também secretário técnico no Imortal), quando ele veio ao Brasil observar jogadores para o Imortal, levou-me a mim e a mais dois jogadores com uma parceria com o empresario Carlos Diefenthaler.
Cheguei a Albufeira e encontrei uma equipe fortíssima, com condições de 1.ª Divisão e ambições de subir de escalão e serem campeões. Tínhamos todas condicoes, jogadores e técnicos óptimos, mas infelizmente as coisas nao correram como todos esperavam.



Em Dezembro você foi emprestado ao Olhanense numa altura em que a equipa passava um mau momento, estava nos lugares de descida, apesar de ter iniciado a época com ambições pelos lugares cimeiros. Como encarou essa mudança e a passagem pelo nosso clube, num ano bastante complicado?
Fui emprestado ao Olhanense, pois no Imortal eu não podia jogar porque estava na espera de documentação para não contar como estrangeiro, e no Olhanense eu poderia jogar porque ainda tinham vagas. Como o Pitico saiu do Imortal e assumiu o cargo treinador em Olhão, ele convidou-me para ajudá-lo, e explicou-me que era uma situação diferente, que o clube estava nos últimos lugares e a partir daí iria lutar para não descer de divisão e não para subir. Aceitei logo o convite porque eu queria era jogar e mostrar meu valor, e vi ali uma grande oportunidade! Fui muito bem recebido no Olhanense pelo Sr. Isidoro, actual presidente do clube que era o Chefe de Departamento de Futebol, e também por todos colegas. Apesar de ter somente 20 anos fui a luta em um grande desafio.


Você é avançado centro, mas em Olhão pensamos que jogou quase sempre como extremo direito, correcto? Pelos nosso arquivos fez 13 jogos pelo nosso clube e não marcou nenhum golo em partidas do campeonato, mas depois marcou muitos golos em quase todos os clubes onde passou. Acha que poderia ter tido mais sucesso em Olhão se jogasse na sua posição?
Sim, quando cheguei a Portugal o esquema táctico era diferente do Brasil, aí era muito utilizado o 4x3x3, com extremos e eu por ser muito rápido, no Imortal o "mister" Formosinho colocou-me a jogar pelas alas. No Olhanense o Pitico até dizia que eu lhe recordava a si próprio jogando nessa posição, e depois quando chegou outro técnico, o Vitor Urbano, utilizou-me também como extremo, sendo a minha função principal fazer cruzamentos para jogadas de finalização. Assim, comecei a desempenhar essa função, preocupando-me em servir bem meus colegas, não marquei golos no Olhanense mas fiz algumas assistências importantes.

Infelizmente quando assumi a titularidade tive uma lesão no tornozelo direito e fiquei muito tempo parado, o que me prejudicou muito, mas ainda pude ajudar meus colegas quando recuperei da lesão.
Depois de sair do Olhanense voltei a jogar em minha posição e consegui um destaque maior por onde passei, pois quem marca os golos é sempre mais lembrado do que quem faz as assistências (risos). O meu melhor ano foi em 2006/07, no Anadia, onde fomos campeões e sagrei-me o melhor marcador com 18 golos em 24 jogos... quem sabe não poderia ter sido melhor aproveitado como avancado em Olhão, mas nao me arrependo de nada, dei sempre o meu melhor em prol da equipa!


Daniel

Gostaria de ter continuado o seu trabalho em Olhão? Existiu alguma possibilidade de continuar?
Sim gostaria de ter continuado, já estava bem habituado a tudo e a todos, existiu até um convite pelo Sr. Isidoro na altura, uma proposta de um contrato de dois anos, mas eu era muito jovem, e tinha um convite do Marítimo "B" em mãos, escolhi pelo lado errado, porque depois isso acabou por não se concretizar e quando tentei voltar ao Olhanense já era tarde, pois já haviam contratado outros jogadores para a mina posição. Infelizmente a imaturidade da altura fez-me pagar esse preço.


Recorda-se de alguns colegas em especial no Olhanense, ou de pessoas ligadas ao clube?
Sim, lembro-me bem de quase todos meu colegas, e de pessoas ligadas ao clube, como o Teixeira, que me estava sempre a pedir para eu trazer uma "cachaça" do Brasil para ele fazer uma caipirinha (risos)!! Recordo-me também do Marques (massagista), Isidoro (que era director e agora é presidente), e fiz dos jogadores fiquei com grandes amigos como o Zé Maria, Adilson, Tibinha, o "capitão" Paulo Renato, Hermínio, o "Tota" (Tiago Rodrigues, guarda-redes agora no Juventude de Évora), Fábio Felício, Paulo Sérgio, Paulinho, Lameirão, Barão, José Fernando, Branquinho, Ricardo Jorge... enfim, lembro-me de quase todos!


E tem algum episódio engraçado que queira partilhar?
Uma lembrança engraçada? Recordo-me de um dia que o Sr. Valter estava a cortar a relva, deixou o carrinho de cortar relva ligado, foi buscar alguma coisa... quando voltou já o Ricardo Jorge estava em cima, conduzindo o carrinho e a fugir dele! O Sr. Valter não conseguia apanhá-lo, foi muito engraçado, ele ficou com zangado, mas foi muito engraçado (risos)! E claro que levámos um raspanete do "mister" Vitor Urbano...

Tal como você, na segunda metade dessa época chegaram vários jogadores para reforçar a equipa, entre os quais o Paulo Sérgio, que agora é treinador do Sporting. Quando jogava na direita e ele no centro do ataque imaginava que ele poderia chegar tão longe como técnico poucos anos depois?
É verdade, o futebol é um mundo muito dinâmico, as coisas acontecem da noite para o dia, tanto para o bem como para o mal! O Paulo Sérgio, pelo historia que conheci dele, e pelo que convivi com ele, foi sempre um homem batalhador e merece tudo o que lhe está a acontecer. E com certeza vai chegar mais longe ainda. Lembro-me que quando eu jogava na direita, ele dizia-me "Miúdo capricha no cruzamento, que eu faço o golo" (risos).

Depois tive oportunidade de jogar contra ele, já ele era treinador do Olhanense e eu jogador do Farense, num dérbi em Faro onde perdemos 1-0. Ele já era um treinador vibrante e amigo dos jogadores, via-se que tinha o grupo nas mãos e foram campeões nesse ano. Dali para frente a carreira dele disparou, e sempre acompanhei o seu trabalho, no Santa Clara, Paços de Ferreira, Vitória de Guimarães e agora no Sporting... a seguir, selecção portuguesa (risos)... porque não? Competência ele tem mostrado de sobra, e é óbvio que desejo-lhe toda a sorte do mundo!



Outro colega seu em Olhão foi o Fábio Felício, que depois chegou a clubes do primeiro escalão português e de outros países. Pensamos que tanto você como ele eram conhecidos apenas pelo primeiro nome no mundo do futebol, e após jogarem juntos aqui é que um passou a ser conhecido por Fábio Santos e o outro por Fábio Felício. Recorda-se dessa pequena curiosidade?
É verdade! Éramos ambos apenas Fábio... o "mister" chamava e olhávamos os dois!!! Um dia ele disse "tu vais ser o Felício e tu vais ser o Santos", e daí pra frente fui sempre conhecido por Fábio Santos (risos)!


Aqui em Olhão há quem diga que a recuperação na ponta final dessa época 2001/02 para evitar a descida à 3.ª Divisão acordou o clube, com os adeptos a apoiarem bastante em casa e fora nesses últimos jogos, e daí a evolução do clube e as subidas nos anos seguintes. Como é que o Fábio olha para esses tempos difíceis e vê agora o Olhanense na 1.ª Divisão? Surpreendido ou esperava isso?
Quando eu fui para o Olhanense o Pitico disse-me que era um clube diferente, um clube que já foi campeão português, e que se começássemos a ganhar jogos, logo o estádio passaria a estar cheio, que era um clube com história e adeptos fanáticos... Lembro-me bem que foi isso mesmo que aconteceu, acho que nos ultimo oito jogos tínhamos que ganhar seis para não descer, a situação estava bem difícil, mas começámos a ganhar jogos!

Disputámos um dérbi com Imortal, vencemos 1-0, com o José Arcanjo quase cheio, depois vencemos outro dérbi em Loulé, os adeptos olhanense foram lá e encheram as bancadas do Louletano, também vencemos esse o jogo e foi uma loucura! Vencemos vários jogos fora e em casa, e no último jogo em casa parecia que tínhamos sido campeões, foi uma experiência muito boa e o trabalho de todos foi recompensado. E, sim, todos viam que o clube iria crescer, era só uma questão de tempo, pois era um "gigante adormecido", que estava acordar, não fico nada surpreendido em ver o Olhanense hoje em dia na 1.ª Divisão.


Fabio Santos

Como foi a sua carreira depois de sair do Olhanense? Teve bons desempenhos em clubes do norte do nosso país e também uma passagem pela China, certo?

Sim, passei por clubes do norte e do centro com boas desempenhos, voltei ao Brasil em 2005 para disputar o campeonato gaúcho da 1.ª Divisão pelo Grêmio Esportivo de São José, mas tive um acidente no clube e perdi um dedo da mão, ficando cerca de oito meses afastado da competição.

Depois disso voltei a Portugal para o Torreense, e depois para o Anadia, onde reencontrei meu futebol, com uma equipa técnica que incutiu espírito de campeão em mim e na equipa. O "mister" Fernando Niza e o professor Antero são duas pessoas que levo para sempre no meu coração, fomos campeões da seríe C da 3.ª Divisão e eu fui o melhor marcador, com 18 golos.

No ano seguinte fiquei até Janeiro e marquei mais 8 golos, sendo negociado para um clube chinês, onde fiquei uma época. Foi uma experiência fantástica, e destaco um momento que nunca mais esquecerei: no dia do meu aniversário a claque levou faixas com meu nome e a mensagem "feliz aniversário" escrita em português. Nesse jogo fiz dois golos, vencemos por 4 a 2 e comemorei um golo em cada lado do estádio, com 25 mil pessoas cantando "happy birthday to you"... foi simplesmente fantástico!

Regressei depois ao Brasil, para disputar a 1.ª Divisão Gaúcha, pelo Ypiranga de Erechin, onde nos sagrámos campeões do interior. Depois disso voltei mais uma vez a Portugal, e ao Anadia.


Mais recentemente voltou a tentar a sorte num país distante, o Irão, como correu?
Exacto, fiquei no Anadia até Janeiro, partindo desta vez para o Irão, onde estive quatro meses no Machina Sazi Tabriz. Foi uma experiência no geral muito boa, pois adapto-me facilmente a todos,  não tenho muita dificuldade. Lá treinei e joguei na neve, e frio, mas muito frio mesmo, uns 10 ou 15 graus negativos... eu estou acostumado com o frio, a região de onde sou natural, no sul do Brasil, em Porto Alegre, faz muito frio, mas nem tanto! Foi diferente, toda uma cultura diferente, mas foi bom, o clube e as pessoas foram muito correctos comigo. Encontrei outro brasileiro jogando lá, o Binho, um médio defensivo que por coincidência tinha jogado vários anos em Portugal (na Naval, na Académica e no Vitória de Setúbal), é sempre bom encontrar outro brasileiro lá fora, fiquei com mais um grande amigo.


Espera voltar a Portugal ou à Europa?
No futebol nunca sabemos o dia de amanhã, como se costuma dizer, o mundo dá muitas voltas e é muito pequeno, e quando menos esperamos encontramos pessoas, voltamos a lugares que não pensávamos voltar, por isso... porque não? Gosto muito de Portugal, minha filha nasceu em Coimbra, tenho grandes amigos aí, e mesmo que não volte a jogar em Portugal, com certeza volto... nem que seja como visita aos amigos (risos)!

Quer deixar mais algumas palavras para o nosso clube?
Quero agradecer a todos pelo carinho com que sempre me trataram e o apoio que me deram no Olhanense, e agora também a vocês por esta oportunidade que me proporcionaram de matar um pouco as saudades. Foram dias inesquecíveis em Olhão, deixei amigos tenho a  certeza, era muito jovem e estava longe da família, obrigado por me terem acolhido, guardo no coração cada dia nessa cidade com carinho, um grande abraço aos adeptos e ao Sr. Isidoro, desejo toda a sorte do mundo ao Olhanense e ás pessoas ligadas a ele. Que Deus abençoe a todos.



 

 



     

 






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