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Em
2004 acompanhei o Olhanense igualmente nas duas
últimas partidas. Uma delas nos Açores.
Só lá estavam 62 adeptos do nosso
clube, mas os jogadores (como nós) souberam
dignificar as cores da nossa camisola. O José
Damásio também lá estava
com o seu neto. Pouco tempo depois deixou de estar
entre nós depois de um fatídico
acidente. Se cá estivesse hoje e assistindo
ao que aconteceu este ano, de certeza que saltava
e chorava de alegria como todos nós. Permitam-me
pois esta singela homenagem.
DJALMIR, CHEGA AO OLHANENSE
Tudo isto me veio à memória porque
o Djalmir tinha prometido uma entrevista ao olhanense.net,
depois do último jogo. A promessa foi cumprida
e falamos com ele. Brasileiro de Aracaju - pequena
cidade piscatória no sul do Brasil - e
o melhor marcador da 2.ª Liga nesta época
com 20 golos. Chegou a Portugal em 2000 para jogar
no Famalicão, ai tendo-se destacado como
um dos melhores goleadores da 2.ª Divisão
B nesse mesmo ano. Posteriormente foi contratado
pelo Belenenses (onde não vingou) e regressou
ao norte ao serviço do Salgueiros e Feirense.
Após uma "pequena aventura" na
China acabou "por aterrar em Olhão"
em 2006 já com 30 anos. Mesmo assim sagrou-se
o melhor marcador da equipa nesse ano e, este
ano, com os seus 20 golos, recebeu da claque um
hino, que não se vai esquecer por muito
tempo: "Jesus perdoa, Djalmir não!".
DJALMIR,
FILHO DE PESCADOR MAS QUE COMIA PICANHA
"Eu nasci em Aracuju e o meu pai era pescador.
Como era o filho mais novo nunca fui á
pesca com ele. "Os meus irmãos sim
e diziam-me sempre: tu não sabes o que
é sofrer. A gente comia peixe, tu só
hoje só come picanha! Diziam isso porque
entretanto o meu pai foi trabalhar como cozinheiro
para a "Petrobras" e as coisas melhoraram.
Aí nasci eu. Havia mais dinheiro e vivíamos
melhor. Toda a gente já comia picanha",
Quando
tinha 13 anos, o pai do Djalmir morreu. Não
lhe quis perguntar como foram as coisas nesse
altura. Prezo muito o respeito que devemos ter
uns pelos outros. Certo é que ele veio
para Portugal - meio a medo, meio sem saber como,
como me disse - em 2000, na volta do milénio
vendido pelo "terrível Cascavel"
ao não menos "terrorífico Famalicão".
Por ai ficou até Dezembro de 2001, quando
rumou para a capital portuguesa para vestir as
cores do Belenenses.
DJALMIR,
PELA PRIMEIRA VEZ NUMA GRANDE CIDADE
"Foi a primeira vez na minha vida que vivi
numa grande cidade. Foi complicado, só
conheci a vizinha do lado quando me vim embora!".
Mas também deve ter tido outras emoções
que de certeza ainda hoje se lembra ou não
fosse: "Na minha estreia foi em Alvalade
estavam 30.000 pessoas. Ainda lá jogava
o João Pinto e o Paulo Bento. Aquele ambiente
da primeira liga era completamente diferente daquilo
a que eu estava habituado. Quando a gente entra
no campo e vê aquela coisa toda, aquela
moldura, até arrepia, só por jogar
contra eles: "Até me senti mais eu.
Entende?" Entendi... entendi.
Em
2003 saiu de Lisboa e disse finalmente á
vizinha: "Bom dia, sou o Djalmir, vou mudar
de casa!" - foi novamente para o norte -
e aposto que a vizinha hoje ainda nem sabe quem
é o Djalmir.
DJALMIR,
VAI PARA A CHINA
Antes de vir para Olhão Djalmir, teve uma
aventura na China. "Estava lá sozinho
e com uma alimentação completamente
diferente. Foi uma experiência curta, tipo
um estágio. Os chineses corriam que era
uma loucura". Tive de perguntar: "E
não ficavas sempre em último? Atrás
dos chineses todos?" A resposta: " Não
sei se pelo meu corpo ou determinação,
nem sempre, e quando cheguei aqui a Portugal estava
em forma!". Soou-me a desculpa de quem perde
para os chineses mas tudo bem. O que interessa
á que aterrou em Olhão via um aeroporto
qualquer. O treinador era o Manuel Balela, depois
o Diamantino, o Álvaro Magalhães
e finalmente o Jorge Costa. Djalmir não
sabia nada do Olhanense nem desta terra de pescadores.
Continuava a comer picanha. Ainda não era
nascido quando a equipa militou na 1.ª Divisão.
Teve uma vantagem segundo ele: " Era uma
cidade pequena - de pescadores, como o meu pai
- e a massa associativa sempre apoiava a gente!"
Como filho de peixe sabe nadar, não deve
ter sido difícil para ele.
DJALMIR NÃO PERDOA, JESUS SIM
Era ao contrário mas esta era a máxima
da claque. E este ano consagrado como o grande
artilheiro da equipa Djalmir não vai esquecer
as gentes de Olhão. "Eu quero agradecer
à claque quanto nos apoiaram. Quero dizer
que vocês foram importantíssimos
na subida. Sem a claque não estávamos
lá!". Mas porra (desculpem o palavrão)
qual claque qual carapuça tive de lhe perguntar:
Mas então e o que o Jorge Costa andou aqui
a fazer? Tocava o bombo da claque? "Qual
é a tua meu?" - esta frase foi inventada
por mim - mas deve ter sido o que ele me devia
ter respondido. Mas disse: "Adorei trabalhar
com o Jorge Costa! E não falo pelos putos
da equipa, falo por mim que já tenho 33
anos. Adorei. Ele consegue porque é um
Campeão. Do Porto e da Selecção
Nacional e ele ainda vive o futebol, e deixa essa
mensagem para a gente. O futebol ainda está
vivo dentro dele como jogador, assim ficamos mais
tranquilos. E é disso que uma equipa precisa".
E a táctica?: ""Ele diz que quem
escala a equipa é o jogador. Quem trabalha
joga, quem não trabalha não joga.
Este ano sempre jogamos em 4-3-3. Mas sempre no
ataque, porque conhecíamos o adversário.
A equipa técnica tem 6 elementos. Mas ele
e o professor Gil, sempre nos passavam a informação
e o conhecimento do modo de jogar dos adversários.
Quando entravamos em campo já sabíamos
tudo. Estava-mos mais tranquilos por saber os
pontos fortes e fracos deles. Eu adorei trabalhar
com ele."
DJALMIR E A FAMÍLIA SOUSA
Como foi trabalhar com esta Direcção?
- Perguntei: "Dou-me bem com todos. Com a
Lígia, com o Filipe, todos. Falo mais é
com o Presidente. Ele está sempre disposto
para nos ajudar em tudo." E como vai ser
para o ano?: "Não sei! Tenho mais
um ano de contrato e vamos lá ver. Eu falo
sempre é com o "Boss". Quem é
esse? Perguntei eu feito cromo: "O Presidente!"
- Ah já percebi. Porquê ir aos Santos
se podes ir directo a Deus, já to fizeram
nos cartazes! E como dessas coisas eu - simples
repórter - não percebo nada nem
quero saber, uma coisa é certa: vai haver
conversa, vai. Mas isso são histórias
para "A Bola" e para o "Record".
DJALMIR
TAMBÉM CONSULTA O NOSSO SITE
"O site olhanense.net é o preferido
da minha mulher e o meu também. Quando
acaba o jogo nós vamos ao site e já
lá esta tudo: as crónicas, reportagens
e as fotografias, tudo. Assim não perdemos
tempo." Ele sabe lá o trabalho que
esta m... dá. Mas não interessa
quem o faz por gosto, como ele quando andou na
China, não se cansa.
DJALMIR
DE VOLTA ÀS ORIGENS
E a pesca. Será que alguma vez vais tentar
pescar como o teu pai e os teus irmãos?:
" O Jaime - do Louletano, emprestado pelo
Olhanense que é da Culatra - sempre me
está dizendo para um dia ir á pesca
com ele. Apanhar chocos!"
Fazes bem Djalmir. A pesca lúdica relaxa,
vai lá vai, moss. Tem é cuidado
com o forrado de choco. Todo o cuidado é
pouco: "Déz merréis, bald'e
choque".
Portem-se
mal.
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