Foi após o jogo entre Olhanense e Camacha, disputado numa
Quarta-feira de manhã, que tivemos oportunidade de falar com
For You. Este jovem guarda-redes, internacional por Cabo Verde,
chegou a Portugal pela mão do seu empresário, João José, em Novembro de 2002 ingressando directamente
na equipa de juniores do SC
Olhanense.
Como foi “dar o salto” para a Europa onde o mundo do futebol é muito diferente do africano?
Para mim não foi assim tão difícil. Foi só uma questão de adaptação de clima e
de alimentação. Aqui só os costumes são algo diferentes. A
alimentação é diferente em Cabo Verde, mais picante e muito mais a base de arroz. Por exemplo, o pão: aqui como mais pão num dia do que em Cabo verde num mês. Aqui como pão a todas as refeições, e até mesmo ao que vocês chamam lanche,
que não é tradicional na minha terra. Mas é uma questão de hábito e acho que já me sinto bem português.
Quais foram as condições contratuais com o Olhanense?
Para já não tenho nenhum contrato com o clube, estou à experiência. O Olhanense paga-me a estadia, as refeições (neste momento como todos os dias na Casa do Benfica de Olhão) e recebo um bónus de 100 Euros por mês.
Como foi a sua primeira época nos Juniores?
Como sabe, a temporada terminou este mês. Do ponto de vista pessoal, acho que
foi boa, mas a nível colectivo nem tanto. A época começou mal, perdemos alguns jogos, depois melhorámos um pouco, mas depois voltou a piorar. Haviam muitos jogadores que faltavam aos treinos dai o termos acabado no
oitavo lugar.
Podem ser apontadas culpas a alguém pela época menos boa?
A meu ver a culpa é de todos. Pessoalmente culpo alguns colegas
e sobre os responsáveis não me cabe a mim falar, por isso não me pronuncio.
O futuro como vai ser?
Ainda não sei. Espero ir de férias para Cabo Verde, quanto mais tardar
no próximo mês. Por lá vou continuar a treinar com a minha equipa até Agosto, altura em que acaba o campeonato. Existe o campeonato inter-ilhas que acaba em Julho e a fase final no mês de Agosto.
Desde que está em Olhão, nunca mais foi convocado para a Selecção do seu país. Caso lhe peçam para ficar em Cabo Verde
para poder jogar na Selecção, fica?
(hesitação) Dito assim fico meio dividido. Claro que gostava de voltar a jogar pela selecção de Cabo Verde, mas por outro lado também me sinto bem em Olhão e quero continuar neste clube onde posso vir a ter mais oportunidades. Mas atendendo ao jogo de hoje (Olhanense- Camacha) em que o Bruno Verissimo fez uma mão cheia de belas defesas, se subir a sénior na próxima época,
muito dificilmente chegarei à titularidade. Mas quem sabe o Olhanense acabe por assinar um contrato comigo e no mínimo posso ser emprestado a outra equipa. Prefiro arriscar e ficar na Europa.
Como todos os jovens, For You tem nos olhos o brilho de um mundo novo por descobrir. Determinação e vontade não lhe faltam. Tempo para aprender a ser um grande guarda-redes, se já não o é, também tem
de sobra.
Uma última pergunta, e esta obrigatória: Porquê a alcunha "For You”?
(Risos) Isso vem do meu tempo de criança. Todos os habitantes
da minha terra gostam muito de cantar. Cabo Verde é a terra das “mornas” e de Cesária Évora. E quando eu era pequeno, diz a minha mãe, gostava de cantar uma canção em inglesa (já não sei qual), que quando a cantava só sabia dizia duas palavras em inglês: “for you, for you ...” E assim fiquei. Primeiro tratado pela família, depois por toda a gente por: For You.
Como despedida desta conversa e em nome de toda a equipa do
olhanense.net, Anilton, para ti ("for you") toda a sorte do
mundo e boas férias com a tua família. |
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Nome: Anilton César Cruz ("For You")
Naturalidade: Cabo Verde
Idade: 18 anos
Posição: Guarde-Redes
Clubes: Batuque (Cabo Verde), desde infantil, e
Olhanense (juniores)
a partir de Novembro de 2002
Selecção: 1 jogo com o Senegal (0-0) em
que actuou em toda a segunda parte do
encontro. Ficou no "banco" com o Luxemburgo
(0-0), a Mauritânia (2-0) e o Quénia (0-1) |
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