Saúde Pública


E N T R E V I S T A
[ 30 de Janeiro de 2003 ]

«NESTE MOMENTO JOGO POR PRAZER»

Nos anos oitenta e noventa foi um daqueles espécimes raros a que chamavam "ponta-de-lança português", representando emblemas como os do Belenenses, Paços de Ferreira, Salgueiros ou Vitória de Setúbal (veja a ficha completa AQUI). Aos 30 anos teve uma experiência por terras francesas (Grénoble), regressando depois a Portugal para o Estoril-Praia. Muitos pensavam que fosse dar por finda a sua carreira nos "canarinhos" quando começou a ser menos utilizado, mas, felizmente para o Olhanense, Vítor Urbano desafiou-o a tentar salvar um histórico clube de uma eminente descida ao terceiro escalão.
Chegou já com grande parte do campeonato decorrido, juntamente com outros reforços de última hora, para uma missão quase impossível. Cerca de quatro meses foram o suficiente para se sagrar o melhor marcador da equipa, com 11 golos, tornando-se na referência do ataque rubro-negro, há muito carenciado de um ponta-de-lança digno desse nome.
Na presente temporada não tem concretizado tanto como seria de esperar e, além disso, tem tido a concorrência do jovem Nélson Afonseca (têm seis golos apontados até à data, cada qual). No último jogo fora de casa, no terreno do Olivais e Moscavide, teve a infelicidade de falhar a segunda grande penalidade da temporada (a primeira havia sido no terreno do seu antigo clube, o Estoril), mas no último Domingo redimiu-se como melhor sabe: dois excelentes golpes de cabeça que deram a vitória sobre o Operário. Acerca deste regresso aos golos, Paulo Sérgio começou por nos afirmar que «Sabe sempre bem marcar, especialmente se os golos valerem pontos, como foi o caso. Para mim foi particularmente importante, devido ao penalty que desperdicei no jogo em Moscavide. Serviu para levantar o moral.»

Relativamente a essa grande penalidade em Moscavide, correu o rumor de que tinha havido um desentendimento entre si e o Fábio no momento da marcação...
«Não, não. Não houve qualquer desentendimento com o Fábio.»


Qual a motivação do grupo de trabalho para esta segunda "volta", agora que a subida é praticamente impossível?

«A nossa motivação é lutar pelos lugares cimeiros. O nosso objectivo tem de ser ganhar pontos,
Domingo a Domingo, até porque projectos a longo ou médio prazo, por muito que se fale neles, no nosso país isso não existe. Vamos, portanto, tentar ganhar os jogos que temos pela frente.»

Na época passada Paulo Sérgio foi o melhor marcador da equipa, mas este ano o Olhanense tem também Nélson Afonseca. Como vê esta "concorrência"?
«Vejo da melhor maneira, pois o Nélson é um jovem com muito valor. Eu sou um jogador na fase final da sua carreira, enquanto que ele é um jovem com muito para dar ao futebol. Da minha parte tudo farei para ajudá-lo a progredir, a ele e a outros colegas, obviamente. O que interessa é que o nosso trabalho ajude a equipa.»

No próximo mês o Paulo Sérgio fará 35 anos. Até quando prevê continuar a jogar?

«Neste momento posso dizer que jogo por prazer. Em termos físicos correspondo do mesmo modo que os meus colegas de 24 ou 25 anos, e sinto vontade de continuar a jogar, mas não posso prever quando irei terminar. Tudo depende do modo como correr a época, se no final desta me sentir em condições, porque não continuar? Como se costuma dizer, o Bilhete de Identidade não joga, e enquanto me sentir útil...»

E quando "pendurar as botas", já tem planos?
«Na altura se verá, mas existe a possibilidade de continuar ligado ao futebol, visto que actualmente possuo o 3º nível do curso de treinador. Se irei fazer uso dele ou não, ainda não sei ao certo. Quando terminar a carreira de jogador, tenho em mente fazer uns estágios no estrangeiro, para observar e aprender o que se faz lá por fora. Depois, se a oportunidade surgir...»


Para um jogador com a sua experiência, que já alinhou em várias equipas de zonas diferentes do nosso país, de que modo vê este clube e esta cidade?

«Pelo que em Olhão existe uma boa interligação entre o clube e a cidade. Se a equipa chegasse a patamares mais altos, estou certo que muito mais gente se aproximaria do Olhanense. No final da época passada,
naquela fase bastante decisiva, foi notório, por onde quer que jogássemos por esse Algarve fora, tínhamos sempre mais adeptos que a equipa da casa. Além disso, penso que o Olhanense tem um grande potencial a nível de projectos e de património. Quantos clubes de escalões superiores não dependem das Autarquias e de outras entidades até para disputar as suas partidas? O Olhanense tem o seu próprio estádio, assim como vários projectos para compra e venda de terrenos e, pelo que tenho visto, gente com vontade de levar o clube para a frente. Por todas estas razões, penso que este clube tem potencial para um futuro bastante risonho.»
Na altura em que veio para o Olhanense, Paulo Sérgio correu um grande risco na sua carreira, pois a equipa encontrava-se numa posição muito difícil, e poderia mesmo ter caído na 3ª Divisão. Felizmente, para nós e para o Paulo Sérgio, isso não aconteceu. Acerca disso, o avançado contou-nos que veio
para Olhão «respondendo ao convite de um técnico que já conhecia, pois já tinha sido seu jogador no Paços de Ferreira, há alguns anos atrás. Posso dizer que vim, também, por "impulso", pois quis provar que não estava acabado. Nessa altura, o clube onde me encontrava, o Estoril, já estava a preparar a época seguinte, por já estar afastado da luta pela subida. Compreendi que estavam a dar lugar aos mais jovens, e pedi para sair, quando surgiu a possibilidade de vir para o Olhanense.»

 

 

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