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[ 26 de Novembro de 2002 ]

ALEXANDRINO FERNANDES: «HONREI SEMPRE AS
CAMISOLAS QUE VESTI, E SOBRETUDO A DO OLHANENSE»

Por João Martins
Realizou-se no passado dia 22, no Hotel Golfinho em Lagos, a "Festa dos Campeões" promovida pela Associação de Futebol do Algarve. Foram distinguidas as equipas campeãs de futebol e de futsal da temporada 2001/02, os árbitros que terminaram a carreira e cinco figuras do futebol Algarvio: Alexandrino Fernandes, Júlio do Cerro, Cavém, Fernando Cabrita e Mira Pacheco (a titulo póstumo). Curiosamente, o Olhanense não esteve presente, pois na época transacta não ganhámos qualquer título, o que é de lamentar.
Quem acabou por representar Olhão e o Olhanense foi Alexandrino Fernandes, uma velha glória rubro-negra dos anos 60 e 70. Também, de alguma forma, o lacobrigense Fernando Cabrita, que se notabilizou de rubro-negro e que deixou imensas saudades em Olhão, ao ponto de ter casado com uma olhanense.

Tivemos oportunidade de falar com Alexandrino, um homem que, pela sua entrega ao Olhanense e ao futebol algarvio, teve agora esta justa homenagem. Visivelmente emocionado falou connosco e deu-nos conta da alegria com que a viveu esta festa: «Penso que foi um merecido reconhecimento pelo que fiz pelo futebol da minha região, tendo sempre honrado as camisolas que vesti e, sobretudo a do Olhanense. A memória das pessoas por vezes é curta, mas penso que mereci ser lembrado ainda em vida. Foram horas onde recordei momentos de glória e que jamais me irei esquecer. O meu muito obrigado.»

Alexandrino vê muitas diferenças entre o futebol actual e o do seu tempo onde «não haviam as guerra tácticas, o poderio dos empresários, os ordenados chorudos, as constantes "chicotadas psicológicas" e a guerra verbal de dirigentes na Comunicação Social. O meu maior ordenado foi de 4 contos por mês e mesmo assim estiva 6 meses sem o receber, mas felizmente com a realização de um torneio em Espanha, a direcção lá conseguiu reunir umas pesetas para liquidar as verbas em atraso!»

No seu tempo de jogador era «o treinador que desempenhava todas as funções técnicas. Hoje é totalmente diferente. Há equipas com meia dúzia de elementos na equipa técnica, o que era impensável na altura. Existe uma preparação física muito mais específica e especializada. Sempre houve o "tosco" e o "artista" mas, os métodos de hoje é que são bem diferentes dos que eu vivi.»

Voltando atrás no tempo recorda-se que «o jornalista David Sequerra, tinha por hábito colocar-me nos lugares cimeiros das suas estatísticas, mesmo quando eu jogava na 2ª Divisão, considerava-me um dos melhores laterais do País. Na altura eu já fazia todo o corredor direito, aquilo a que hoje se chama um lateral moderno.»

Confessou-nos que «o momento mais triste da sua carreira foi aquando da descida á 3ª Divisão do Olhanense» e elege com satisfação «a subida ao escalão maior como o mais marcante. Era então treinador Artur Santos, numa equipa onde pontificavam nomes como Ademir, Renato, Balecas, Zézé, Diamantino, os Poeiras e Barroca, entre outros.»

Como episódios caricato da sua carreira, conta-nos que «quando tinha então 20 anos, estava o Olhanense na 1ª Divisão, salvo erro na época 61/62, o treinador era o Armando Carneiro e tínhamos perdido em casa por 4-0 com o Barreirense. O jogo seguinte era nas Antas com o Porto e, como a deslocação era cansativa, alguns jogadores fizeram-se lesionados para não irem com a equipa. O treinador teve de recorrer aos menos utilizados para formar o onze. Assim lá fui eu jogar a titular como defesa esquerdo, posição que não era a minha. Apanhei pela frente o extremo direito internacional Carlos Duarte. Estava eu a fazer um jogo espectacular em que "sequei" por completo a "estrela", e ele, vendo que não passava por mim, chegou-se ao meu ouvido e disse-me: "Ou deixas-me jogar ou parto-te uma perna". Fiquei cheio de medo e contei ao treinador. O Carlos Duarte vendo que eu estava muito nervoso e intimidado, brincou comigo e incentivou-me a fazer o meu jogo. Nada sucedeu e acabei a partida como a tinha iniciado ou seja em beleza. Azar foi termos perdido por 3-0.»

E assim aqui ficou um pouquinho das memórias de Alexandrino Fernandes.  um "jovem" com quase 60 anos, exemplo do "sangue de futebol nas guelras" de que este desporto era feito. Não podemos prometer mas quem sabe, se um dia não nos irá desvendar mais um pouco do seu "livro de recordações".

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QUEM FOI ALEXANDRINO?

Alexandrino Fernandes começou a sua carreira futebolística aos 16 anos nos "Juniores" do Olhanense, decorria a época desportiva de 58/59. Manteve-se neste escalão durante três temporadas, sendo promovido aos "Seniores" no ano seguinte. Manteve-se na primeira categoria durante 13 anos consecutivos, sempre de rubro-negro. Aos 32 anos, este lateral direito ainda teve forças para representar os emblemas do Sambrazense, e seguriam-se Campinense, Marítimo Olhanense e Fuzeta, acabando a sua carreira com quase 37 anos.

No seu palmarés constam os títulos de Campeão da 2ª e 3ª Divisão. Era o "capitão" de equipa na distante época de 74/75, a última em que o Olhanense esteve no escalão máximo.

Como treinador orientou os vários escalões de formação do Olhanense e foi promovido a técnico principal dos "Séniores", aquando da saída do argentino Gonzalito. Mais tarde, durante a década de 90, seria ainda adjunto de Plamen Lipensky, Carlos Sério, Fernando Mendes e Manuel Balela. Hoje em dia só não dá os seus préstimos por motivos profissionais, enquanto trabalhador da Docapesca. Foi igualmente treinador do Clube União Culatrense, na altura a disputar o Distrital.


 

 

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