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E N T R E V I S T A
[ 21 de Novembro de 2002 ]

«A DERROTA COM O CASA PIA FOI FRUSTRANTE, MAS
TEMOS DE LEVANTAR A CABEÇA», AFIRMA ADÍLSON

Para inaugurar esta secção falámos com Adílson, o atacante brasileiro que desde Dezembro da época passada representa o Olhanense.
Esta não é a primeira experiência europeia deste jovem de 23 anos, que já havia representado o FC Augsburg, da Alemanha. No Brasil, representou três clubes do seu Estado (o Rio Grande do Sul), o Internacional e o Grêmio de Porto Alegre, e o Caxias. Um pormenor que poucos adeptos do Olhanense saberão é que Adílson jogou nas camadas jovens do Grêmio com uma das estrelas do último "Mundial", Ronaldinho Gaúcho. 
Para início de conversa, começámos por perguntar-lhe como chegou ao nosso país e, mais concretamente, ao nosso clube.
«Eu cheguei a Portugal exactamente a 12 de Dezembro do ano passado, e ao Olhanense no dia 16. Foi através do meu empresário, no Brasil, que surgiu esta oportunidade. Inicialmente seria para um clube de um escalão superior, acho que da 2ª Liga, mas alguns problemas entre o meu empresário e outro empresário de cá fizeram com que isso não acontecesse. Vim, então, prestar provas ao Olhanense que necessitava de reforços e que era treinado pelo Pitico, que conhecia o meu empresário. Como as inscrições estavam próximas de fechar, dei o máximo para mostrar o meu valor e, logo após o Natal, o Olhanense resolveu me contratar. Foi uma boa prenda.»

Na altura veio encontrar o Olhanense numa situação delicada...
«É verdade, a situação era má mesmo. O grupo estava muito em baixo, os resultados não surgiam, e acabámos por mudar de treinador. Veio o Vítor Urbano e, com mais alguns reforços, surgiram alguns resultados, mas mesmo assim não saímos do fundo da tabela. Foi então que, quando faltavam oito jogos para o final, resolvemos "fechar" o grupo e mentalizámo-nos que era agora ou nunca. Tínhamos que ganhar acho que sete dessas oito partidas para não descer, e foi o que fizemos. Afinal de contas, ninguém queria que o seu nome ficasse associado "àqueles que fizeram o Olhanense descer de Divisão" e, com muito esforço e união, acabámos por valorizar um grupo que estava completamente desacreditado.»

Tanto que, com alguns reforços, este ano a equipa é candidata a subir... ou não?
«Sim, este ano temos um grupo muito forte, e acredito que temos condições para subir. Existe muita união e motivação, e é isso que temos de continuar a fazer. Motivarmo-nos, pois também sabemos que não somos uma equipa imbatível, e resultados negativos podem surgir a qualquer altura, mas é exactamente isso que um bom grupo como este tem de saber "dar a volta". É que... existem derrotas e derrotas, e contra o Pontassolense sabemos que jogámos mal, mas já nesta última contra o Casa Pia, sentimos que fizemos tudo e que simplesmente não era o nosso dia...»

Realmente, essa derrota deve ter sido uma enorme frustração, com tantas oportunidades desperdiçadas...
«Foi realmente frustrante, nem imagina. Fizemos tudo o que podíamos, mas as bolas simplesmente não entravam! Além disso o anti-jogo praticado pelo Casa Pia foi uma vergonha! Contudo, foi bonito ver a reacção do público que nos aplaudiu no final, pois reconheceu que tínhamos dado tudo. Aliás, a seguir ao jogo todo os jogadores se animaram uns aos outros, e só assim é que pode ser, temos de levantar a cabeça! Jogámos bem e não merecíamos a derrota, vamos tentar remediar a situação já no próximo jogo, com o Amora. Temos de ir lá e tentar ganhar, como fizemos em Vila Real. Repare que o Lusitano também estava bem na tabela classificativa até perder connosco... espero que seja assim com o Amora, que é a única equipa que ainda não perdeu. Normalmente fazemos bons jogos fora, e em alguns merecíamos mesmo ganhar, como com o Sporting B e com o Estoril.»

Esse jogo com o Estoril deve ser o seu melhor momento no Olhanense, não? Saíu do banco para marcar um "golão" que evitou a derrota, já nos últimos instantes...
«Realmente foi, pois entrar com um resultado adverso e fazer o golo do empate é uma sensação muito boa. Foi bom para mim, para o grupo e para o clube.»

Aproveitando para falar um pouco no capítulo individual, quando o Adílson chegou ao Olhanense jogou várias vezes a titular, mas com a chegada do Paulo Sérgio, passou a jogar menos. Este ano a concorrência na frente ainda é maior, pois chegaram também o Romicha e o Afonseca. O que tem faltado para se impôr como titular?
«É lógico que nenhum jogador gosta de ficar no "banco", mas com o grupo forte e equilibrado que temos, não posso dizer que esteja preocupado por não ser titular neste momento. Repare que temos um plantel de tal maneira equilibrado que mesmo quando um jogador entra em vez do outro, o rendimento não se altera. É bom fazer parte de um grupo assim. Dou o meu melhor nos treinos e nos jogos e respeito as opções do treinador.
Aproveito para dizer que, ao contrário de quando cheguei, em que era utilizado apenas como avançado-centro, agora estou desempenhando muito mais funções, e tanto posso jogar na frente, como atrás do ponta-de-lança, a extremo ou a médio de ataque. Isso é bom para o grupo e para o jogador. Volto a dizer, pois nunca é demais, este grupo está muito unido e nos motivamos uns aos outros.»

E o que pensa da cidade que veio encontrar?
«A cidade é um espectáculo. É verdade que é normal nos sentirmos entusiasmados quando vamos para um sítio onde tudo é novidade, mas eu realmente gosto de Olhão. Talvez por ser uma cidade histórica e agradável, onde podemos andar tranquilos na rua. As pessoas são receptivas e isso é muito importante para um jogador estrangeiro que, como eu, está cá sem familiares. Comparando com a experiência que tive na Alemanha, posso dizer que os portugueses são muito diferentes, para melhor.»

Quer dizer, então, que se sente bem no Olhanense, apesar de não ser sempre titular?
«Sim, porque física e psicologicamente estou bem, a grande união no grupo a isso ajuda. Um jogador estrangeiro que está sozinho num país, longe dos seus familiares, e que não é sempre titular pode sentir alguma vontade de desistir, mas esse não é o meu caso. Treino sempre com afinco e os colegas são espectaculares. As saudades do Brasil são muitas mas também falo muito com outros jogadores brasileiros da minha região que actuam em Portugal, como o Éder do Boavista ou o Cristiano do Benfica. Nas férias, quando o campeonato terminou, reunimo-nos todos na minha cidade, e fizemos grandes "churrascadas". Um dos brasileiros que joga na Europa e que mais contribui para a "festa" nessa altura é o Ronaldinho Gaúcho, do Paris SG, que é realmente um espectáculo de pessoa, nunca esquecendo os seus amigos.»

Para terminar, existe algo que gostava de ter dito que não lhe perguntámos, ou quer deixar alguma mensagem aos adeptos?
«O que posso dizer aos adeptos é para acreditarem nesta equipa, pois temos vontade e condições para subir. Acreditem e apoiem a equipa. Se possível vão aos jogos fora de casa, pois a nós jogadores isso dá muito ânimo. Foi o que aconteceu nos campos do Estoril, Sporting B ou em Vila Real, onde estavam muitos adeptos do Olhanense. Espero que continuem assim, pois penso que esta época o público está com um entusiasmo muito maior do que na anterior. A direcção está a fazer um esforço muito grande e tem nos dado todas as condições. Por isso tudo faremos para lutar pela subida.»

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Foto Nuno Eugénio

CURIOSIDADES...

Pedimos a Adílson que nos desse uma opinião sobre o nosso site ao que respondeu: «Penso que está muito bom, foi das coisas mais positivas nesta nova temporada. Falo também pelo meu caso, algumas pessoas que me conhecem querem saber algo mais deste clube, da sua história, das suas conquistas, o que se passa e o que se passou.
Aliás, é uma boa promoção não só para o clube, mas também para a cidade de Olhão, que me parece estar em franco desenvolvimento.»

...E BRINCADEIRAS

Insistimos para que Adílson partilhasse com os adeptos uma história engraçada que tenha acontecido desde que está no Olhanense. O avançado pensou durante alguns instantes e, sorrindo, rematou:
«Existe uma história que achei engraçada. Fizeram uma maldade ao Sr. Valter, que é o responsável pelo relvado. Ele tem uma mota, e um dia enquanto ele cortava a relva, despejaram uma garrafa de água no seu capacete. Quando ele foi colocá-lo na cabeça, obviamente apanhou um "banho" (risos). No dia seguinte, nós jogadores levámos um "sermão" do treinador, e acho que apesar de inicialmente o Sr. Valter ter levado a mal, depois aceitou a brincadeira. Acho que é saudável levar este tipo de coisas na brincadeira, pois acabam por contribuir para um bom ambiente no clube.»
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