Para inaugurar esta
secção falámos com Adílson, o atacante brasileiro que desde Dezembro da época passada
representa o Olhanense.
Esta não é a primeira experiência europeia deste jovem de 23 anos, que já havia
representado o FC Augsburg, da Alemanha. No Brasil, representou três clubes do seu Estado
(o Rio Grande do Sul), o Internacional e o Grêmio de Porto Alegre, e o Caxias. Um
pormenor que poucos adeptos do Olhanense saberão é que Adílson jogou nas camadas jovens
do Grêmio com uma das estrelas do último "Mundial", Ronaldinho Gaúcho.
Para início de conversa, começámos por perguntar-lhe como chegou ao nosso país e, mais
concretamente, ao nosso clube.
«Eu cheguei a Portugal exactamente a
12 de Dezembro do ano passado, e ao Olhanense no dia 16. Foi através do meu empresário,
no Brasil, que surgiu esta oportunidade. Inicialmente seria para um clube de um escalão
superior, acho que da 2ª Liga, mas alguns problemas entre o meu empresário e outro
empresário de cá fizeram com que isso não acontecesse. Vim, então, prestar provas ao
Olhanense que necessitava de reforços e que era treinado pelo Pitico, que conhecia o meu
empresário. Como as inscrições estavam próximas de fechar, dei o máximo para mostrar
o meu valor e, logo após o Natal, o Olhanense resolveu me contratar. Foi uma boa
prenda.»
Na altura veio encontrar o Olhanense numa situação delicada...
«É verdade, a situação era má
mesmo. O grupo estava muito em baixo, os resultados não surgiam, e acabámos por mudar de
treinador. Veio o Vítor Urbano e, com mais alguns reforços, surgiram alguns resultados,
mas mesmo assim não saímos do fundo da tabela. Foi então que, quando faltavam oito
jogos para o final, resolvemos "fechar" o grupo e mentalizámo-nos que era agora
ou nunca. Tínhamos que ganhar acho que sete dessas oito partidas para não descer, e foi
o que fizemos. Afinal de contas, ninguém queria que o seu nome ficasse associado
"àqueles que fizeram o Olhanense descer de Divisão" e, com muito esforço e
união, acabámos por valorizar um grupo que estava completamente desacreditado.»
Tanto que, com alguns reforços, este ano a equipa é candidata a subir... ou não?
«Sim, este ano temos um grupo muito
forte, e acredito que temos condições para subir. Existe muita união e motivação, e
é isso que temos de continuar a fazer. Motivarmo-nos, pois também sabemos que não somos
uma equipa imbatível, e resultados negativos podem surgir a qualquer altura, mas é
exactamente isso que um bom grupo como este tem de saber "dar a volta". É
que... existem derrotas e derrotas, e contra o Pontassolense sabemos que jogámos mal, mas
já nesta última contra o Casa Pia, sentimos que fizemos tudo e que simplesmente não era
o nosso dia...»
Realmente, essa derrota deve ter sido uma enorme frustração, com tantas oportunidades
desperdiçadas...
«Foi realmente frustrante, nem
imagina. Fizemos tudo o que podíamos, mas as bolas simplesmente não entravam! Além
disso o anti-jogo praticado pelo Casa Pia foi uma vergonha! Contudo, foi bonito ver a
reacção do público que nos aplaudiu no final, pois reconheceu que tínhamos dado tudo.
Aliás, a seguir ao jogo todo os jogadores se animaram uns aos outros, e só assim é que
pode ser, temos de levantar a cabeça! Jogámos bem e não merecíamos a derrota, vamos
tentar remediar a situação já no próximo jogo, com o Amora. Temos de ir lá e tentar
ganhar, como fizemos em Vila Real. Repare que o Lusitano também estava bem na tabela
classificativa até perder connosco... espero que seja assim com o Amora, que é a única
equipa que ainda não perdeu. Normalmente fazemos bons jogos fora, e em alguns merecíamos
mesmo ganhar, como com o Sporting B e com o Estoril.»
Esse jogo com o Estoril deve ser o
seu melhor momento no Olhanense, não? Saíu do banco para marcar um "golão"
que evitou a derrota, já nos últimos instantes...
«Realmente foi, pois entrar
com um resultado adverso e fazer o golo do empate é uma sensação muito boa. Foi bom
para mim, para o grupo e para o clube.»
Aproveitando para falar um pouco no capítulo individual, quando o Adílson chegou ao
Olhanense jogou várias vezes a titular, mas com a chegada do Paulo Sérgio, passou a
jogar menos. Este ano a concorrência na frente ainda é maior, pois chegaram também o
Romicha e o Afonseca. O que tem faltado para se impôr como titular?
«É lógico que nenhum jogador gosta
de ficar no "banco", mas com o grupo forte e equilibrado que temos, não posso
dizer que esteja preocupado por não ser titular neste momento. Repare que temos um
plantel de tal maneira equilibrado que mesmo quando um jogador entra em vez do outro, o
rendimento não se altera. É bom fazer parte de um grupo assim. Dou o meu melhor nos
treinos e nos jogos e respeito as opções do treinador.
Aproveito para dizer que, ao contrário de quando cheguei, em que era utilizado apenas
como avançado-centro, agora estou desempenhando muito mais funções, e tanto posso jogar
na frente, como atrás do ponta-de-lança, a extremo ou a médio de ataque. Isso é bom
para o grupo e para o jogador. Volto a dizer, pois nunca é demais, este grupo está muito
unido e nos motivamos uns aos outros.»
E o que pensa da cidade que veio encontrar?
«A cidade é um espectáculo. É
verdade que é normal nos sentirmos entusiasmados quando vamos para um sítio onde tudo é
novidade, mas eu realmente gosto de Olhão. Talvez por ser uma cidade histórica e
agradável, onde podemos andar tranquilos na rua. As pessoas são receptivas e isso é
muito importante para um jogador estrangeiro que, como eu, está cá sem familiares.
Comparando com a experiência que tive na Alemanha, posso dizer que os portugueses são
muito diferentes, para melhor.»
Quer dizer, então, que se sente bem no Olhanense, apesar de não ser sempre titular?
«Sim, porque física e
psicologicamente estou bem, a grande união no grupo a isso ajuda. Um jogador estrangeiro
que está sozinho num país, longe dos seus familiares, e que não é sempre titular pode
sentir alguma vontade de desistir, mas esse não é o meu caso. Treino sempre com afinco e
os colegas são espectaculares. As saudades do Brasil são muitas mas também falo muito
com outros jogadores brasileiros da minha região que actuam em Portugal, como o Éder do
Boavista ou o Cristiano do Benfica. Nas férias, quando o campeonato terminou, reunimo-nos
todos na minha cidade, e fizemos grandes "churrascadas". Um dos brasileiros que
joga na Europa e que mais contribui para a "festa" nessa altura é o Ronaldinho
Gaúcho, do Paris SG, que é realmente um espectáculo de pessoa, nunca esquecendo os seus
amigos.»
Para terminar, existe algo que gostava de ter dito que não lhe perguntámos, ou quer
deixar alguma mensagem aos adeptos?
«O que posso dizer aos adeptos é
para acreditarem nesta equipa, pois temos vontade e condições para subir. Acreditem e
apoiem a equipa. Se possível vão aos jogos fora de casa, pois a nós jogadores isso dá muito ânimo. Foi o
que aconteceu nos campos do Estoril, Sporting B ou em Vila Real, onde estavam muitos
adeptos do Olhanense. Espero que continuem assim, pois penso que esta época o público
está com um entusiasmo muito maior do que na anterior. A direcção está a fazer um
esforço muito grande e tem nos dado todas as condições. Por isso tudo faremos para
lutar pela subida.» |
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(Clique na imagem para aumentá-la)
Foto Nuno Eugénio
CURIOSIDADES... |
Pedimos a
Adílson que nos desse uma opinião sobre o nosso site ao que respondeu: «Penso que está muito bom, foi das coisas mais
positivas nesta nova temporada. Falo também pelo meu caso, algumas pessoas que me
conhecem querem saber algo mais deste clube, da sua história, das suas conquistas, o que
se passa e o que se passou.
Aliás, é uma boa promoção não só para o clube, mas também para a cidade de Olhão,
que me parece estar em franco desenvolvimento.» |
...E BRINCADEIRAS |
Insistimos
para que Adílson partilhasse com os adeptos uma história engraçada que tenha acontecido
desde que está no Olhanense. O avançado pensou durante alguns instantes e, sorrindo,
rematou:
«Existe uma história que achei
engraçada. Fizeram uma maldade ao Sr. Valter, que é o responsável pelo relvado. Ele tem
uma mota, e um dia enquanto ele cortava a relva, despejaram uma garrafa de água no seu
capacete. Quando ele foi colocá-lo na cabeça, obviamente apanhou um "banho"
(risos). No dia seguinte, nós jogadores levámos um "sermão" do treinador, e
acho que apesar de inicialmente o Sr. Valter ter levado a mal, depois aceitou a
brincadeira. Acho que é saudável levar este tipo de coisas na brincadeira, pois acabam
por contribuir para um bom ambiente no clube.» |
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