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RECORTES DE IMPRENSA
(A Bola, Record,
O Jogo e Região Sul) |
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OLHANENSE, 2 - PORTIMONENSE, 1 |
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in "Região Sul"
Promessas de bom futebol em dérbi mexido
Jogo mexido em Olhão, a abrir a temporada. A primeira jornada da
Liga de Honra juntou Olhanense e Portimonense e os dois conjuntos
preocuparam-se em tentar jogar para o espectáculo, sempre de olhos
virados para a baliza contrária. Paulo Sérgio e Pacheco, os dois
técnicos, mostraram vontade de colocar os seus jogadores a praticar
bom futebol. Se as indicações se confirmarem, não se antevê uma
época complicada para os emblemas algarvios.
Ainda os espectadores procuravam os melhores assentos na bancada do
renovado José Arcanjo (obras indispensáveis para participar numa
competição desta natureza), já a equipa da casa se adiantava no
marcador. Branquinho marcou rapidamente um canto, Vidigal apareceu
solto à entrada da área (falha de marcação dos barlaventinos),
ligeiramente descaído para a direita, e rematou cruzado, sem
hipóteses para Tó-Zé.
O Portimonense, que surgiu em Olhão com dois pontas-de-lança (as
duas equipas actuaram num 4x4x2 de cariz semelhante), respondeu de
forma rápida. Aproveitando o facto de Livramento flectir demasiado
para o centro, deixando a banda esquerda sozinha, Pedro Alexandre, o
lateral-direito, constituía-se como o "motor" do ataque forasteiro.
Numa dessas muitas incursões, aproveitando o terreno livre à sua
frente, empatou o jogo, com um tiro fantástico de fora da área.
Embora com maior domínio territorial dos olhanenses, a equipa de
Pacheco respondia com perigosos contra-ataques. Até à meia hora de
jogo, o panorama era este. Mas a partir desse período, foi o
Portimonense a tomar conta do jogo, terminando a primeira metade em
alta. Com mais acutilância ofensiva, talvez tivesse conseguido mais
golos.
No segundo tempo, quando se esperava mais espectáculo, sucedeu o
oposto. O futebol aos "repelões" invadiu o José Arcanjo e as duas
equipas revelavam ideias confusas e pouco objectivas. No entanto, o
Olhanense chegou ao golo no momento mais importante. Vasco Matos
(excelente jogo!) desequilibrou na direita e centrou ao segundo
poste, onde Livramento, sozinho, elevou o marcador. O Portimonense
quebrou fisicamente, mas nunca entregou as armas, enquanto o
conjunto de Paulo Sérgio desperdiçaria mais três oportunidades
flagrantes, por Edinho (duas) e Ricardo Silva (dupla de ataque mais
dinâmica que a composta por Toy e Afonseca). Vitória merecida e
suada, devido ao equilíbrio provocado pelos visitantes.
Nota negativa para o árbitro e assistentes. Dois lances muito
duvidosos: aos 49', Vidigal cometeu falta na área sobre Carlos
Gomes, não assinalada (assim como o fora-de-jogo que antecedeu o
lance também não foi punido); mais tarde, aos 85', Branquinho, em
cima da linha, tocou a bola com a mão dentro ou fora da área?
António Costa decidiu-se pela segunda opção.
Paulo Sérgio, treinador do Olhanense, manifestou-se satisfeito pela
estreia na Liga de Honra. "Foi uma vitória suada e trabalhada, mas
inteiramente justa, valorizada pela atitude ofensiva e audaz do
Portimonense. Nós corremos riscos e falhámos em algumas situações, a
que se deve o nervosismo de alguns jogadores, por ser a estreia, em
casa, e também o forte calor que se fez sentir."
Por seu lado, António Pacheco, falou em "falta de coragem" de
António Costa. "Assistimos a uma boa partida de futebol, o jogo teve
momentos de emoção, com duas equipas a mostrar vontade de ganhar. Os
golos do Olhanense devem-se a desatenções nossas. O árbitro, em
termos gerais, esteve bem, mas revelou falta de coragem na hora de
assinalar um penálti a nosso favor."
EDGAR PIRES |
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in "A Bola"
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in "O Jogo"
Dérbi algarvio bem rasgadinho
Cerca de cinco mil espectadores assistiram a um dérbi bastante
disputado, especialmente na primeira metade da partida, onde as duas
equipas produziram um futebol de parada e resposta. De certo modo,
nem parecia o primeiro jogo do campeonato, mas apesar do empenho das
duas equipas a vitória dos anfitriões pela margem mínima é justa.
A primeira parte foi muito movimentada e disputada pelos dois
representantes do Algarve na Liga de Honra, tendo o intervalo
chegado com uma igualdade no marcador a um golo. Mas, talvez pelo
sol abrasador e intenso calor que se fazia sentir, a qualidade do
futebol caiu sobremaneira na segunda metade do embate.
Nesta diferença de atitude os pupilos de Paulo Sérgio também não
estão isentos de culpas, apesar do inconformismo de Jorge Vidigal e
Livramento, que, em jeito de prémio, haviam de marcar os dois golos
da sua equipa, que ditaram a conquista dos primeiros três pontos do
campeonato o Olhanense.
Em abono da verdade, diga-se que, os comandados de António Pacheco
nunca baixaram os braços e não fora a vista grossa que o juiz da
partida fez a uma grande penalidade claríssima - puxão de Jorge
Vidigal a Carlos Gomes, aos 49 minutos -, o resultado até podia ter
sido diferente. Para cúmulo na actuação de António Costa, a falta de
Vidigal foi antecedida de um fora-de-jogo do ataque visitante, com
culpas repartidas pelo auxiliar Venâncio Tomé, que esteve muito mal
neste capítulo durante todo o jogo.
Até ao apito final o Olhanense acabou por justificar a vitória já
que desfrutou de mais oportunidades que o Portimonense. O principal
responsável por essas ocasiões de golo acabou por ser o veterano
avançado Edinho, que saiu do banco de suplentes para desperdiçar
duas ocasiões soberanas, quando tinha apenas o guarda-redes
adversário pela frente.
MANUEL LUÍS |
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in "Record"
VIZINHOS ABREM ÉPOCA COM JOGO DE BOM NÍVEL
Equilíbrio quebrado depois do intervalo
Um maior espírito de conquista mostrado após o intervalo foi
determinante no êxito obtido pelo Olhanense diante do vizinho
Portimonense, num jogo de qualidade apreciável, com os forasteiros,
ousados – apresentaram dois pontas-de-lança –, a venderem cara a
derrota.
Dois golos espectaculares assinalaram a fase inicial da partida:
Jorge Vidigal tirou proveito de uma desatenção dos opositores, após
um pontapé de canto, para desferir um potente remate cruzado, e o
Portimonense respondeu muito bem, com um “tiro” notável de Pedro
Alexandre a restabelecer a igualdade.
Daí até ao intervalo o Portimonense controlou a partida, manietando
quase à nascença as acções ofensivas dos homens da casa, que sentiam
dificuldades na transposição de jogo, face às apertadas marcações
exercidas pelos forasteiros, os quais começavam a defender bem à
frente, com os dianteiros, muito pressionantes, a levarem os
centrais da casa a recorrerem muitas vezes ao pontapé sem nexo.
O Olhanense só perto do intervalo esteve perto de marcar, com Nélson
Afonseca a não aproveitar uma desatenção de Tozé, e o resultado ao
descanso traduzia com fidelidade o que se passara, embora se notasse
alguma dificuldade (ainda mais evidente no segundo tempo) do
Portimonense em gizar situações de perigo. A equipa defendia bem,
roubava a iniciativa ao opositor, mas faltava-lhe capacidade
criativa.
Foi o Olhanense a descobrir o “segredo” para quebrar o equilíbrio,
surgindo na segunda parte com um meio-campo mais dinâmico e
empreendedor, que se “encostou” amiúde aos homens da frente. Os
espaços começaram a surgir junto à baliza do Portimonense e a equipa
de António Pacheco passou por alguns momentos de aflição antes de
Livramento surgir solto junto ao poste mais distante para fazer o
2-1, após
cruzamento de Vasco Matos, da direita.
A turma de Olhão manteve o mando do jogo depois de chegar à
vantagem, com Edinho a ter nos pés duas boas ocasiões para ampliar a
marca, perante um Portimonense lutador e determinado mas sem
argumentos para contrariar o ascendente dos locais após o descanso.
O árbitro cometeu alguns lapsos, entre os quais um duplo erro num
lance muito contestado pelo Portimonense: aos 56 minutos, Serjão, em
posição de fora-de-jogo, tocou para Carlos Gomes, derrubado por
Vidigal, na área, quando preparava o remate. Nem uma nem outra
infracção foram assinaladas.
ARMANDO ALVES |
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