[ 30 de Agosto de 2004 ]

 

RECORTES DE IMPRENSA
(A Bola, Record, O Jogo e Região Sul)

OLHANENSE, 2 - PORTIMONENSE, 1

in "Região Sul"
Promessas de bom futebol em dérbi mexido

Jogo mexido em Olhão, a abrir a temporada. A primeira jornada da Liga de Honra juntou Olhanense e Portimonense e os dois conjuntos preocuparam-se em tentar jogar para o espectáculo, sempre de olhos virados para a baliza contrária. Paulo Sérgio e Pacheco, os dois técnicos, mostraram vontade de colocar os seus jogadores a praticar bom futebol. Se as indicações se confirmarem, não se antevê uma época complicada para os emblemas algarvios.

Ainda os espectadores procuravam os melhores assentos na bancada do renovado José Arcanjo (obras indispensáveis para participar numa competição desta natureza), já a equipa da casa se adiantava no marcador. Branquinho marcou rapidamente um canto, Vidigal apareceu solto à entrada da área (falha de marcação dos barlaventinos), ligeiramente descaído para a direita, e rematou cruzado, sem hipóteses para Tó-Zé.

O Portimonense, que surgiu em Olhão com dois pontas-de-lança (as duas equipas actuaram num 4x4x2 de cariz semelhante), respondeu de forma rápida. Aproveitando o facto de Livramento flectir demasiado para o centro, deixando a banda esquerda sozinha, Pedro Alexandre, o lateral-direito, constituía-se como o "motor" do ataque forasteiro. Numa dessas muitas incursões, aproveitando o terreno livre à sua frente, empatou o jogo, com um tiro fantástico de fora da área.

Embora com maior domínio territorial dos olhanenses, a equipa de Pacheco respondia com perigosos contra-ataques. Até à meia hora de jogo, o panorama era este. Mas a partir desse período, foi o Portimonense a tomar conta do jogo, terminando a primeira metade em alta. Com mais acutilância ofensiva, talvez tivesse conseguido mais golos.

No segundo tempo, quando se esperava mais espectáculo, sucedeu o oposto. O futebol aos "repelões" invadiu o José Arcanjo e as duas equipas revelavam ideias confusas e pouco objectivas. No entanto, o Olhanense chegou ao golo no momento mais importante. Vasco Matos (excelente jogo!) desequilibrou na direita e centrou ao segundo poste, onde Livramento, sozinho, elevou o marcador. O Portimonense quebrou fisicamente, mas nunca entregou as armas, enquanto o conjunto de Paulo Sérgio desperdiçaria mais três oportunidades flagrantes, por Edinho (duas) e Ricardo Silva (dupla de ataque mais dinâmica que a composta por Toy e Afonseca). Vitória merecida e suada, devido ao equilíbrio provocado pelos visitantes.

Nota negativa para o árbitro e assistentes. Dois lances muito duvidosos: aos 49', Vidigal cometeu falta na área sobre Carlos Gomes, não assinalada (assim como o fora-de-jogo que antecedeu o lance também não foi punido); mais tarde, aos 85', Branquinho, em cima da linha, tocou a bola com a mão dentro ou fora da área? António Costa decidiu-se pela segunda opção.

Paulo Sérgio, treinador do Olhanense, manifestou-se satisfeito pela estreia na Liga de Honra. "Foi uma vitória suada e trabalhada, mas inteiramente justa, valorizada pela atitude ofensiva e audaz do Portimonense. Nós corremos riscos e falhámos em algumas situações, a que se deve o nervosismo de alguns jogadores, por ser a estreia, em casa, e também o forte calor que se fez sentir."

Por seu lado, António Pacheco, falou em "falta de coragem" de António Costa. "Assistimos a uma boa partida de futebol, o jogo teve momentos de emoção, com duas equipas a mostrar vontade de ganhar. Os golos do Olhanense devem-se a desatenções nossas. O árbitro, em termos gerais, esteve bem, mas revelou falta de coragem na hora de assinalar um penálti a nosso favor."

EDGAR PIRES

in "A Bola"

in "O Jogo"
Dérbi algarvio bem rasgadinho

Cerca de cinco mil espectadores assistiram a um dérbi bastante disputado, especialmente na primeira metade da partida, onde as duas equipas produziram um futebol de parada e resposta. De certo modo, nem parecia o primeiro jogo do campeonato, mas apesar do empenho das duas equipas a vitória dos anfitriões pela margem mínima é justa.

A primeira parte foi muito movimentada e disputada pelos dois representantes do Algarve na Liga de Honra, tendo o intervalo chegado com uma igualdade no marcador a um golo. Mas, talvez pelo sol abrasador e intenso calor que se fazia sentir, a qualidade do futebol caiu sobremaneira na segunda metade do embate.

Nesta diferença de atitude os pupilos de Paulo Sérgio também não estão isentos de culpas, apesar do inconformismo de Jorge Vidigal e Livramento, que, em jeito de prémio, haviam de marcar os dois golos da sua equipa, que ditaram a conquista dos primeiros três pontos do campeonato o Olhanense.

Em abono da verdade, diga-se que, os comandados de António Pacheco nunca baixaram os braços e não fora a vista grossa que o juiz da partida fez a uma grande penalidade claríssima - puxão de Jorge Vidigal a Carlos Gomes, aos 49 minutos -, o resultado até podia ter sido diferente. Para cúmulo na actuação de António Costa, a falta de Vidigal foi antecedida de um fora-de-jogo do ataque visitante, com culpas repartidas pelo auxiliar Venâncio Tomé, que esteve muito mal neste capítulo durante todo o jogo.

Até ao apito final o Olhanense acabou por justificar a vitória já que desfrutou de mais oportunidades que o Portimonense. O principal responsável por essas ocasiões de golo acabou por ser o veterano avançado Edinho, que saiu do banco de suplentes para desperdiçar duas ocasiões soberanas, quando tinha apenas o guarda-redes adversário pela frente.

MANUEL LUÍS

in "Record"
VIZINHOS ABREM ÉPOCA COM JOGO DE BOM NÍVEL
Equilíbrio quebrado depois do intervalo

Um maior espírito de conquista mostrado após o intervalo foi determinante no êxito obtido pelo Olhanense diante do vizinho Portimonense, num jogo de qualidade apreciável, com os forasteiros, ousados – apresentaram dois pontas-de-lança –, a venderem cara a derrota.

Dois golos espectaculares assinalaram a fase inicial da partida: Jorge Vidigal tirou proveito de uma desatenção dos opositores, após um pontapé de canto, para desferir um potente remate cruzado, e o Portimonense respondeu muito bem, com um “tiro” notável de Pedro Alexandre a restabelecer a igualdade.

Daí até ao intervalo o Portimonense controlou a partida, manietando quase à nascença as acções ofensivas dos homens da casa, que sentiam dificuldades na transposição de jogo, face às apertadas marcações exercidas pelos forasteiros, os quais começavam a defender bem à frente, com os dianteiros, muito pressionantes, a levarem os centrais da casa a recorrerem muitas vezes ao pontapé sem nexo.

O Olhanense só perto do intervalo esteve perto de marcar, com Nélson Afonseca a não aproveitar uma desatenção de Tozé, e o resultado ao descanso traduzia com fidelidade o que se passara, embora se notasse alguma dificuldade (ainda mais evidente no segundo tempo) do Portimonense em gizar situações de perigo. A equipa defendia bem, roubava a iniciativa ao opositor, mas faltava-lhe capacidade criativa.

Foi o Olhanense a descobrir o “segredo” para quebrar o equilíbrio, surgindo na segunda parte com um meio-campo mais dinâmico e empreendedor, que se “encostou” amiúde aos homens da frente. Os espaços começaram a surgir junto à baliza do Portimonense e a equipa de António Pacheco passou por alguns momentos de aflição antes de Livramento surgir solto junto ao poste mais distante para fazer o 2-1, após
cruzamento de Vasco Matos, da direita.

A turma de Olhão manteve o mando do jogo depois de chegar à vantagem, com Edinho a ter nos pés duas boas ocasiões para ampliar a marca, perante um Portimonense lutador e determinado mas sem argumentos para contrariar o ascendente dos locais após o descanso.

O árbitro cometeu alguns lapsos, entre os quais um duplo erro num lance muito contestado pelo Portimonense: aos 56 minutos, Serjão, em posição de fora-de-jogo, tocou para Carlos Gomes, derrubado por Vidigal, na área, quando preparava o remate. Nem uma nem outra infracção foram assinaladas.

ARMANDO ALVES

 


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