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Paulo Sérgio recebeu os troféus do jornal do clube, por se
ter sagrado o melhor marcador nos jogos fora e e em casa na
temporada passada. |
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«Depois da confortável vitória nos Açores, esperava-se um pouco mais deste Olhanense 2003/04 e da sua estreia
em jogos oficiais frente ao seu público.
Nesta partida, foi mesmo a equipa rubro-negra a dar o primeiro sinal de perigo,
através de um surpreendente remate de Edinho ao poste. Contudo,
o Mafra equilibrou a partida e também dispôs de algumas
oportunidades, principalmente devido à ocasional apatia da
defesa ou da ausência de compensação ao (muito) atacante lateral
esquerdo Branquinho.
Curioso foi que o incansável número trinta redimiu-se desses
descuidos já perto do intervalo, numa jogada muito similar à do
seu golo frente ao Portimonense, no jogo de apresentação. Foi num
contra-ataque conduzido pelo experiente Amaral, que o
esquerdino, após alguns dribles, deferiu potente remate à
entrada da área. A bola foi embater no travessão, caindo nitidamente
dentro da baliza, ressaltando para fora. A indecisão inicial do
juiz da partida foi compensada pela atenção do seu auxiliar, que
validou o golo, apesar dos protestos forasteiros.
Praticamente de seguida, o Olhanense deu um "tiro no pé", com a
sua defesa a "conceder" (autenticamente) uma grande penalidade
que já não se usa numa equipa com tantos jogadores experientes. E assim, o Mafra conseguia o empate, o que até
acabava por ser um resultado justo ao intervalo.
Na etapa complementar o calor e fraca condição física de ambas
as equipas veio ao de cima, assistindo-se a um jogo com algumas
faltas e muitos, mas mesmo muitos, passes falhados de parte a
parte. Algumas (boas) ocasiões desperdiçadas por ambos os lados
resultaram no empate final, que se ajusta ao sucedido em campo.
No que se refere à exibição da equipa orientada por Paulo Sérgio, pode-se dizer que a
defesa foi o elo mais fraco, denotando alguma falta de ritmo e
acumulando desatenções, resolvidas pela atenção de Bruno
Veríssimo ou mesmo pela inoperância dos atacantes contrários.
Do meio-campo para a frente a
equipa não esteve mal. Calu fez uma exibição sóbria e agradável
como "trinco", e à sua frente esteve um tridente de médios
(Amaral, Livramento e Rui Loja) bastante polivalente e em
constante mudança de posições. Amaral e Livramento tanto
aparecem ao centro como à direita, e Rui Loja também aparece nas
duas alas. Eis uma estratégia de "futebol moderno" que, quando bem
implementada (talvez por jogadores mais jovens, exceptuando
Livramento, claro está) poderá surtir em pleno. Mas, por enquanto, frente
a esta bem organizada equipa do Mafra, não surtiu grande
efeito, a não ser nos primeiros instantes da partida.
Na frente de ataque, "Dia Não" para Edinho, mesmo após um início prometedor
(potente disparo ao poste) e o tónico que foi o "hat trick" da primeira ronda.
O veterano brasileiro falhou algumas boas oportunidades, o que nem
parece seu. Exibição algo apagada também do "segundo" ponta-de-lança Glaédson, que passou
praticamente ao lado do jogo. Não podemos,
realmente, afirmar se o ex-Micalense está fora de forma (pois
praticamente não teve chances de se mostrar) ou se está
"encurralado" entre Edinho e o tal "tridente" referido, que
monopoliza a manobra da equipa. Gláedson, um reforço de quem muito
se espera, está um pouco na "posição" que o esloveno Zahovic tem na
equipa do Benfica, ou "agarra" o jogo, ou então este passa-lhe ao
lado. A rever, em termos estratégicos. Deste modo, mais vale a
equipa ter mais um "trinco" ou até mesmo mais um avançado, e foi o
que Paulo Sérgio fez, fazendo entrar o generoso e esforçado Afonseca,
que também não esteve nos seus dias ou não teve tempo para melhor.
Com a lesão de Calu, entrou Paulo Renato, derivando Jorge Vidigal
para o centro do terreno, onde não rende(u) tanto. Quem também não
parece render tanto numa posição central, ou "solta", é o jovem
internacional Livramento, jogador com todas as características de um
ala. Paulo Sérgio tem apostado nele nessa posição (quem sabe se mais
adiante não lhe daremos razão...), mas a verdade é que teve de o
substituir por outro jovem ex-Farense, Alberto, centrocampista com
boas intenções e que tentou por ordem no jogo (Amaral, o "patrão",
estava esgotado após uma exibição deveras positiva, quase a fazer
silenciar por completo os seus críticos, sempre atentos a uma
possível falha para o poder assobiar) mas não o conseguiu, dado o
"estado" do jogo.
Um ponto cedido em casa, frente a uma equipa que na temporada
terminou nos lugares cimeiros, não está mau de todo, mas poderia ter
sido melhor. Agora não vale a pena chorar pelo leite derramado, e há
que pensar já no próximo jogo, na "Academia" de Alcochete, frente À
formação "B" do Sporting Clube de Portugal.» |
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TEXTO E FOTO:
OLHAO-ONLINE.COM |
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